A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 09/06/2021
No filme argentino Elefante Branco,os padres Julián e Nicolás trabalham voluntariamente em periferias da Argentina,visando educar e afastar jovens e crianças vulneráveis da realidade do tráfico e violência.Fora dos tablados da ficção, a ação voluntária exerce um papel imprenscindível para a garantia do bem-estar sociocultural da população brasileira.No entanto, mesmo com a existência de Organizações Não Governamentais(ONGs) que atuam em setores educacionais e ambientais de forma a desenvolver o país por meio desse tipo de trabalho, a ausência de uma cultura voluntariadora impede a expansão de ações socioconscientes.Dessa forma, debater sobre o individualismo contemporâneo e a falta de incentivo educacional a essas práticas é importante a valorização do voluntariado no Brasil.
Em primeiro lugar, é necessário salientar que, com a herança de um passado colonial não fomentador de uma consciência e engajamento social da população brasileira, o sentimento individualista e a ausência de uma visão coletiva se difundiram e impediram que o número de voluntários ampliassem nas ONGs e casas de apoio.Nesse sentido, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, as relações contemporâneas se estabelecem de forma superficial e frágil, ou seja, o aprofundamento e construção de laços sociais empáticos e generosos- fatores imprescindíveis para despertar o desejo pela atuação voluntária em projetos educacionais e ambientais no Brasil- não são a base dos relacionamentos contemporâneos frente o crescente individualismo do país.Assim,observa-se que a ausência de uma cultura que promova a procura pela bem-estar coletivo vai de encontro ao pilar de desenvolvimento sociocultural,educacional e ambiental do todo populacional que o trabalho voluntário assegura.Dessa maneira, o individualismo e o não engajamento social brasileiro impede a expansão de voluntários.
Ademais, é importante ressaltar que a falta de incentivo ao voluntariado causado pela inexistência de discussão e impulsionamento dessas práticas dentro das escolas e faculdades desvaloriza esse tipo de trabalho.Por esse ângulo, o jornalista especializado em voluntariado Roberto Ravagnani fala que esse assunto não é debatido e nem incentivado pela educação brasileira ou seja, desde os primórdios da formação sociocultural das crianças e jovens pelas escolas e faculdades, o sentimento de generosidade e empatia que sensibilizam os indivíduos para a atuação voluntária não é estabelecido pela instituição formadora de cidadãos.Assim, as instituições de ensino devem fomentar essa prática.
Portanto, a discussão sobre a desvalorização do trabalho voluntário no Brasil é necessária para o estabelecimento do bem-estar coletivo.Assim, cabe ao Ministério da Educação incentivar o voluntariado por meio da parceria entre instituições de ensino públicas e privadas e ONGs que chamem jovens e crianças para trabalharem em projetos voluntários a fim de ampliar ações empáticas no Brasil.