A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 10/06/2021

Em meados do Século XX, a ONG Médicos Sem Fronteira foi criada na França com o objetivo de ajudar países pobres desolados por guerras e epidemias, onde o seu grande diferencial sempre foi o voluntarismo de todas os profissionais da saúde e ajudantes da ONG, possuindo mais de 40 mil voluntários. Nesse contexto, percebe-se que no Brasil por outro lado o trabalho voluntário não possui uma adesão nem se quer suficiente para suprir a necessidade do país. Diante disso, nota-se que é de primordial importância entender a origem da falta de adesão dos brasileiros ao trabalho voluntário, assim como analisar o panorama internacional do trabalho voluntário.

Com efeito, é primordial entender que o Brasil mesmo sendo a 12ª maior economia do mundo, segundo o FMI (Fundo Monetário de Investimos), o país ainda possui elevados índices de desemprego em todo território, em contraponto com a falta de oportunidades de trabalho assalariado, o trabalho voluntário no país possui falta de pessoal para ocupar as vagas essenciais, movimentado pelo preconceito por parte da população. Tal preconceito dos brasileiros, está enraizado na mentalidade capitalista da população, que enxergam que toda forma de trabalho possui exclusivamente o objetivo de ganho de capital, e entendem que o trabalho que não for monetizado seria uma “perda de tempo”. Essa ideia corrobora com a teoria da Sociedade do Cansaço do filósofo coreano Byung-Chul Han, que trata que a sociedade contemporânea, não enxerga sentido em ajudar ou contribuir para algo que não lhes traga benefícios, focando unicamente em sua produção, esquecendo o mundo fora da sua bolha.

Paralelamente à tal característica da população brasileira, os países mais desenvolvidos possuem em sua grande maioria uma maior número de voluntários em diversas áreas. Assim países como os Estados Unidos, possuem um contingente gigantesco, que se intensificam com as diversas formas de convencer a sua população a realizar trabalhos voluntários. Como por exemplo o fato onde jovens que desejam entrar no ensino superior de grandes universidades, devem apresentar em seu currículo uma carga horaria já dedicada ao trabalho voluntário, levando o entendimento que esse jovem trabalha em prol da sociedade.

Portanto, torna-se urgente uma mudança na compreensão da sociedade brasileira sobre o trabalho voluntário. Para isso deve ocorrer um estímulo por parte dos governantes, especialmente Prefeitos de grandes capitais brasileiras, para que haja campanhas amplamente difundidas por meio da máquina publica, sobre locais onde o contingente de voluntários é menor, com o objetivo de garantir uma maior adesão da população verde-e-amarela e consequentemente um melhor reconhecimento dos voluntários em todo o país.