A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 10/06/2021
Segundo a lei federal de 1908, a Lei do Voluntariado, o trabalho voluntário é definido como a atividade não remunarada com finalidades altruístas. Assim, as iniciativas solidárias são essenciais para o bem social de populações vulneráveis, contudo, a parcela de brasileiro que são voluntários é cada vez menor. Assim, é essencial analisar a importância das atividades humanitárias na sociedade e as causas para a sua desvalorização.
Diante disso, é válido mencionar o conceito de Imperativo Hipotético, do filósofo Immanuel Kant, o qual afirma que as pessoas agem por interesse, visando alcançar determinado fim. De maneira oposta, o trabalho voluntário não deve ser motivado por interesses, mas sim por simples altruísmo, visando, apenas, ao bem das comunidades ajudadas. Isso posto, percebe-se o papel construtivo do voluntariado na sociedade, haja vista a propagação do bem e da empatia social, a garantia de direitos sociais aos vulneráveis e, além disso, a satisfação pessoal de quem consegue proporcionar aconchego, lar, alimento e outras garantias àqueles que necessitam. Somado à isso, o Índice Global de Solidariedade divulgou que a maioria dos voluntários é adulto acima de 40 anos, por conseguinte, é fundamental promover o espírito solidário já na infância, dada a importância da solidariedade no contexto atual.
Além do exposto, é importante destacar que o trabalho humanitário tem sido desvalorizado no Brasil, o que traz consequências negativas para o desenvolvimento social. Sendo assim, entre os obstáculos para a ampliação de atividades voluntárias no país estão a falta de empatia social e o egocentrismo, características instigadas pela sociedade capitalista, onde as pessoas estão cada vez mais focadas no acúmulo e na prosperidade financeira e não no bem comum. Ademais, pode-se mencionar ainda a desinformação sobre as formas de atuação em projetos voluntários como um entrave para o voluntariado, haja vista que parte da população tem interesse em coloborar em projetos solidários mas não o faz por não conhecer formas de contribuir ou, até mesmo, projetos e famílias necessitadas.
Portanto, tendo em vista a ampliação do voluntariado no país, medidas devem ser tomadas. Logo, o Ministério da Educação deve, por meio da obrigatoriedade da disciplina de moral e ética em todas os anos de ensino, promover o espírito solidário, a fim de perpetuar o trabalho voluntário desde a infância. Além disso, o governo deve, por intermédio de anúncios publicitários, propagar o chamado “Marketing Social” abordando temas relacionados à ações e projetos humanitários, para que, assim, o altruísmo ganhe espaço de destaque na sociedade brasileira.