A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 10/06/2021
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apenas 4,3% da população brasileira participou de um trabalho voluntário, que é qualquer atividade feita com objetivos cívicos e sem fins lucrativos. Esse dado, deixa explícita a desvalorização desse tipo de serviço no Brasil, porém, isso acontece graças à mentalidade capitalistada sociedade nacional, a qual visa a obtenção de luro e acumulação de riquezas. Tal pensamento, desfavorece e reduz a chance de ações, que objetivam beneficiar os que precisam sem resultar em ganho para quem as faz, sejam valorizadas e replicadas no país, o que justifica seu desabono.
Dessa forma, é válido lembrar do filósofo alemão Immanuel Kant, que discute sobre os imperativos categórico e hipotético. O primeiro, afirma que uma pessoa deve agir se sua ação for boa em si e a mesma possa se tornar uma lei universal. Atualmente, no Brasil, a obtenção de lucro e o acúmulo de riquezas impulsionados pelos ideais capitalistas são o imperativo categórico. Isso é, todos estão a procura disso, pois é algo que vai trazer benefício tanto para quem faz, quanto para a sociedade. Portanto, o foco das pessoas está, atualmente, mais voltado para elas mesmas e para a evolução do país, mas não para aqueles que estão necessitados, por isso, desvalorizam o trabalho voluntário.
Já o segundo, o imperativo hipotético, se refere a uma ação, boa ou não, que resulta em algo positivo. Trazendo para o cotidiano atual, o trabalho voluntário, que é uma atividade boa, tem como resultado alguém que foi ajudado, logo, sucede algo bom, seria o imperativo hipotético. Serviços como o da organização cívica, Doutores da Alegria, a qual introduziu a arte do palhaço no universo da saúde, intervindo junto a crianças, adolescentes e idosos em situação de vulnerabilidade e risco social em hospitais, estão nesse contexto kantiano. Sendo assim, basenando na Filosofia Kantiana, o foco da sociedade deve ser a obtenção de lucro e o acúmulo de riquezas, por ser o imperativo categórico, o que não deixa margem para uma maior divulgação de trabalhos voluntários, que também se torna menos chamativo, por não ser lucrativo.
Diante do exposto, é fácil perceber o porquê da desvalorização do trabalho voluntário no Brasil. Apesar de fazer o bem para quem o recebe, quem o faz não recebe lucros, mas essa é uma perspectiva capitalista. Por outro olhar, esse tipo de atividade melhora o emocional do receptor e do agente da mesma, é uma troca e é essa a ideia que o Ministério da Educação, junto com as escolas brasileiras deve difundir por meio de palestras e aulas práticas, de forma que os alunos entendam o bem que podem oferecer e receber. Dessa maneira, com o tempo, o trabalho voluntário passará a ser o imperativo categórico.