A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 13/06/2021

Indubitavelmente, com a advento da globalização as relações sociais sofreram grandes transformações, uma delas foi a quantidade de tempo investida nas pessoas. De certo, no Brasil não é diferente, sobretudo em relação ao trabalho voluntário, isto é, na doação de tempo em causas necessárias para o desenvolvimento de indivíduos. Certamente, essa desvalorização ao voluntariado está relacionado à ausência de estímulos por órgãos de influência, como a escola, atrelado a falta de compromisso enraizada, com as causas sociais, da população brasileira.

Em primeiro, lugar ao se analisar a teoria da Modernidade Líquida, do filósofo Bauman, isto é, a fluidez da sociedade atual que, é direcionada pela conveniência do momento, é perceptível que investir tempo em causas sociais em detrimento de dos próprios interesses é perda de tempo. Nesse viés, um dos principais influenciadores da liquidez moderna no indivíduo tem sido a escola, uma vez que incentiva os alunos a focarem somente no conhecimento intelectual, em outras palavras, as instituições de ensino negligenciam as práticas voluntárias dentro do ambiente escolar, logo transforma-se em um agente da desvalorização do trabalho voluntário no país. A partir disso, o Brasil a longo prazo tenderá à apresentar taxas cada vez menores de tarefas expontâneas, com o raciocínio de que significa empregar tempo em problemas infindáveis sem solução efetiva.

Além disso, há no Brasil uma falta de responsabilidade com o próximo, ou seja a população incube toda a responsabilidade de melhora social ao governo, com isto prevalece a ausência de compromisso com o semelhante que, repercute na desvalorização ao voluntariado. Em outras palavras, há uma estigmatização em relação ao envolvimento às causas sociais, pois o financiamento é mais instantâneo do que o envolvimento direto, o que gera abstenção nas atividades voluntárias. Inegavelmente, esse problema é percebido quando uma pesquisa feita pelo Diário do Estado, revela que 67% dos jovens brasileiros nunca fizerem um trabalho voluntário, ou seja a falta de comprometimento com as causas sociais está enraizada.

Em conclusão, de acordo com os argumentos supracitados, é notório que o problema da desvalorização ao trabalho voluntário está diretamente relacionado a questão cultural do país, isto é a falta de hábito em relação a promoção a esse tipo de ações. Portanto, urge que as escolas como principal formador do cidadão, estabeleçam no cronograma estudantil palestras sobre a importância desses atos, além disso promovam efetivamente ações voluntárias em diferentes causas sociais, com o intuito de gerar desde os primeiros anos do ser humano iniciativas de promover  tarefas espontâneas e assim mudar o quadro de desconsideração ao serviço facultativo no Brasil