A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 11/06/2021
O filme norte-americano “Patch Adams”, baseado em fatos reais, conta a história de um médico que consegue, por meio de ações altruístas e divertidas, obter melhores resultados no tratamento de pacientes oncológicos, revelando, assim, uma importante faceta da atividade humanitária. Entretanto, apesar de tais práticas apresentarem impactos positivos no desenvolvimento sociocultural de um país, a realidade brasileira é marcada pela desvalorização do trabalho voluntário que se deve, entre outras causas, pelo desconhecimento das possibilidades de atuação na área, além das influências da capitalistas que o objetificam o homem como produtor, e não como membro da comunidade.
Inicialmente, é válido entender que a falta de informação sobre a atividade filantrópica é algo que contribui para sua marginalização dentro da sociedade. Nesse sentido, apesar de existir projetos como o " Pátria Voluntária", iniciativa criada em 2019 para organizar e promover a prática humanitária, a atividade encontra, ainda, pouco espaço para sua divulgação, isto é, mostrar quais são os nichos de atuação, os locais de serviço, horários, requisitos, entre outros aspectos. Tal situação fomenta a ideia de que tal exercício está restrito à doação de dinheiro e/ou alimentos, quando, na verdade, pode ser feito por meio de escalas horárias de serviço, participação na organização das instituições, aulas expositivas e demais meios instrutivos que possam contribuir com o social. Logo, a desinformação quanto ao modo de prestar ajuda, por mais simples que seja, é entrave à progressão desses programas.
Outrossim, cabe analisar de que modo a visão capitalista sobre o homem influencia na participação desse em organizações voluntárias. Segundo o filósofo alemão Karl Marx, o indivíduo, dentro do modelo de produção, possui como principal função a confecção de bens voltada para o mercado consumidor retroalimentativo alienado e egoísta. Nessa perspectiva, o ser humano, ao invés de se entender como agente promotor de mudanças sociais, é visto principalmente como engrenagem dentro do sistema produtivo, não tendo, portanto, disponibilidade ou preocupação para com a prática filantrópica e seus impactos positivos para o bem-estar social.
Portanto, a valorização da atividade voluntária encontra barreiras tanto na carência informacional quanto na esfera econômica. Nesse sentido, cabe ao Governo Federal, em parceria com a mídia, promoverem as informações sobre tais atividades por meio de campanhas de divulgação em massa, seja na realidade concreta ou virtual, a fim de que um maior número de pessoas consiga entender as formas de contribuição. Ademais, cabe a escola incentivar debates e atividades extracurriculares durante as aulas de modo a formar cidadãos socialmente engajados. Assim, espera-se seguir o exemplo dado por Adams e auxiliar na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.