A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 11/06/2021
De acordo com o geógrafo Milton Santos, no texto “As cidadanias mutiladas”, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, na medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadãos. Contudo, percebe-se, na contemporaneidade, que uma parcela da população não desfruta de boa parte dos privilégios e oportunidades que cabem às demais e, por meio de ações voluntárias, conseguem auxílio para crescer e, em alguns casos, mudar de vida. No entanto, o voluntariado tem sido desvalorizado tanto pelo modelo econômico vigente, quanto pela ausência de uma educação efetiva, sendo assim, aspectos que precisam ser analisados.
A princípio, segundo a teoria Marxista, a base da sociedade é a economia e ela molda o comportamento humano. Nessa perspectiva, em uma sociedade em que se predominam as relações de lucro e interesse, as pessoas que realizam trabalhos voluntários não recebem a devida valorização. Isso acontece, também, devido à falta de incentivo do Estado às pessoas em situação de negligência, as quais que, muitas vezes, sobrevivem com o auxílio do voluntariado, acabam se prejudicando devido à uma sociedade guiada pelas vias do pensamento egoísta, que almeja apenas o bem estar individual. Dessa maneira, com cada vez menos ações voltadas para esse público, mais distante da igualdade social a sociedade se encontra.
Outrossim, a desvalorização do trabalho voluntário também está presente na falta de conhecimento sobre a importância que tal ação possui, tanto na vida de quem recebe, quanto da de quem oferece ajuda. De acordo com a teoria do pedagogo Paulo Freiro, a escola tem o dever de não somente ensinar os conteúdos, mas também de desenvolver a capacidade crítica do indivíduo. Dessa maneira, estimular o voluntariado, além de promover auxílio e empatia ao próximo, expande a visão das pessoas quanto às diversas situações que vivem àqueles que não compartilham da mesma “bolha”.
Torna-se evidente, portanto, que, como forma de acabar com a desvalorização do trabalho voluntário no Brasil, é preciso que População e Escola atuem em protocooperação. É dever da sociedade ajudar - fisicamente ou de forma monetária - ONGs que necessitam de apoio para o cuidado de situações negligenciadas, como pessoas em situação de rua, animais abandonados e meio ambiente, para que seja garantido a quem necessita pelo menos o mínimo de atenção. Além disso, cabe às Instituições Escolares promoverem, por meio de aulas práticas, informações quanto à importância do voluntariado. Tal ato pode acontecer por meio de ações na própria cidade, que visem o contato humano com setores que serão beneficiados com essa atitude. Dessa maneira, a garantia de empatia e amor ao próximo serão garantidas, bem como a ideia de democracia efetiva, a qual preconizara Milton Santos.