A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 15/06/2021
O artigo três da Constituição Federal afirma que o objetivo do Brasil é construir uma sociedade livre, justa e solidária. Entretanto, percebe-se que esta lei básica não é cumprida, visto que a desvalorização do trabalho voluntário é evidente. Nesse contexto, compreende-se que a cultura do país é deficitária em relação ao voluntariado, já que a falta de conhecimento sobre o assunto e o pouco estímulo exercido sobre os cidadãos faz parte da realidade, promovida, também, pelo capitalismo.
Diante disso, os desafios na valorização do trabalho voluntário é constante, pois o sistema econômico contribui para uma cultura contrária ao que a Constituição Cidadã deseja para o Brasil. Pois, o capitalismo, via de regra, prega os interesses individuais, como trabalhar apenas para conseguir algo em troca. Nesse cenário, entende-se que numa sociedade movida por esse modelo econômico, as pessoas que realizam o voluntariado são desvalorizadas. Contudo, observa-se nos Estados Unidos, país extremamente capitalista, que o índice de pessoas que realizam esse tipo de atividade é de quase 40%, de acordo com a Aiesec. Enquanto isso, nacionalmente, apenas 4,3% da população realizou trabalho voluntário em 2019, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Isso ocorre devido ao fato de que há uma enorme falta de incentivo no país, o que contribui demasiadamente para a falta de ações por parte dos cidadãos para ajudar o próximo.
Ademais, com o advento da pandemia ocasionada pelo corona vírus, muitas pessoas passaram a viver uma realidade crítica de sobrevivência, que foram explanadas, através das mídias. Assim, o trabalho voluntário no Brasil cresceu em quase 300%, de acordo com a plataforma social Atados, que conecta pessoas a oportunidades de voluntariado. Isso mostra o quanto é importante evidenciar a realidade a toda a população, influenciando todos a ajudarem aqueles que precisam. Mais: os estudantes do ensino básico possuem pouco conhecimento e estímulo para atuarem nesse exercício, já que poucas escolas investem regularmente em ações nas quais os alunos tenham a oportunidade de exercer a ajuda ao próximo. Por isso, a virtude é pouco vista nos brasileiros, pois, como Isaac Newton disse, “a virtude sem caridade não passa de nome”.
Portanto, para a desvalorização do trabalho voluntário no Brasil ser superada, é necessário que o Estado e o Ministério da Educação implementem, nas matrizes curriculares do ensino básico, atividades que promovam o voluntariado; além de facilitar a entrada do aluno que pratica tal atividade na universidade. Para mais, também é preciso que as redes sociais e as redes de televisão exponham a situação de necessidade que muitos vivem. Assim, a população será incentivada e, a longo prazo, a cultura do trabalho voluntário será implementada no país.