A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 14/06/2021
O sociólogo Émile Durkheim compara a sociedade a um corpo biológico, no qual é preciso que todos estejam saudáveis para haver um bom funcionamento do organismo. A partir do conceito citado, nasce a necessidade do trabalho voluntário, no entanto, essa ação não é valorizada e há fatores que dificultam a realização dessa atividade entre os cidadãos, são eles, a míngua responsabilidade social por parte da população e a falta de estímulo ao voluntariado que é perpetuada de uma geração para outra.
A princípio, cabe pontuar que um dos grandes intensificadores da desvalorização ao voluntariado é a despreocupação social de parte da população, a qual acredita que cumprir a função de cidadão se resume a pagar impostos. Tal fato explica o porquê apenas 25% do povo brasileiro já serviu em algum trabalho voluntariado, de acordo com dados do G1. Acrescido ao dado já mencionado, as estatísticas afirmam que nem mesmo durante crises – ambientais, econômicas ou de saúde – há um crescimento expressivo na assistência aos vulneráveis, o número aumenta em aproximadamente 13% – o que ainda é um progresso muito baixo. Assim, é entristecedor perceber pessoas tolhidas de necessidades essenciais para sobrevivência não podendo contar com a ajuda de parte da população, que seria capaz de ajudar, mas se isenta desse papel, colocando no governo toda a responsabilidade de ser o promotor do bem-estar coletivo.
Além disso, outra atitude que desvaloriza o trabalho voluntário é a falta de estímulo ao indivíduo no meio – familiar e escolar – em que ele cresce. A saber, o sociólogo Pierre Bourdieu afirma que o indivíduo participa de círculos sociais – chamados de Habitus – os quais interiorizam costumes e normas sociais nele desde seu nascimento até a vida adulta, então, quando a pessoa se desenvolve em um ambiente onde não há práticas voluntárias, ela vai reproduzir a falta de hábito de seus semelhantes, prejudicando a coletividade que seria beneficiada com a atividade prestada. Destarte, ver-se a importância de uma educação e de comportamentos voltados para a prestação de serviços sociais a partir da infância com o propósito de, desde cedo, o indivíduo almejar a prática de ser filantropo.
Fica claro, portanto, a grande importância da execução de trabalhos voluntários e os fatores os desvalorizam. Logo, é mister que a mídia através de programas de rádio e televisão – como Encontro com Fátima Bernardes – estimule a prática do voluntariado e leve o tema à discussão, abordando sua importância para a sociedade, em que pessoas de autoridade no assunto discorram que se o Estado não consegue suprir as necessidades sociais de forma plena, cada indivíduo pode contribuir com sua ajuda, fazendo cada cidadão entender sua parcela de responsabilidade com a população. Ademais, os centros educacionais devem criar projetos em que os alunos e seus familiares sejam voluntários.