A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 18/06/2021
A República Federativa do Brasil constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamento a promoção do bem comum. No entanto, a realidade da cultura verde-amarela é distante, visto que, o trabalho voluntário é tratado com indiferença e é constantemente desvalorizado pela sociedade, o que inviabiliza a efetivação do fundamento republicano. Dessa forma, entende-se que a falta de informação a respeito do voluntariado, e a indiferença do Estado apresentam-se como entraves para a valorização do trabalho voluntário no Brasil.
Em primeiro plano, a falta de informação da sociedade a respeito do trabalho voluntário impossibilita uma maior adesão à esse ato de solidariedade. Apesar de, nos últimos anos, a internet e as mídias sociais terem se tornado mais acessíveis à todos, grande parcela da população insiste em se manter estagnada em sua zona de conforto e não busca conhecimento sobre as formas e os benefícios do trabalho voluntário - aumento da autoestima, sensibilidade, empatia -. Ocorre que, o desinteresse da sociedade diante desse assunto desestimula, fragiliza e prejudica a valorização do voluntariado no Brasil. Assim, é incoerente que a prevalência do egocentrismo seja realidade em uma nação carente e desigual, como ocorre na sociedade brasileira contemporânea.
De outra parte, a indiferença do Estado inviabiliza a valorização do trabalho voluntário no Brasil. A partir de 1970, as nações passaram a adotar o neoliberalismo, segundo o qual o Estado deve se omitir intencionalmente para que as empresas privadas vendam serviços básicos para a população. Ocorre que a população carente é incapaz de pagar pelos benefícios impostos pela lógica neoliberal, o que mostra a relevância das ações humanitárias - como o trabalho voluntário - para ajudar a população pobre a garantir os seus direitos. Dessa forma, não é razoável que a indiferença do Estado a respeito do trabalho voluntário permaneça em um país que almeja tornar-se nação desenvolvida.
Impende, pois, que a sociedade e o Estado cooperem para a valorização do trabalho voluntário. Cabe aos indivíduos, por meio das redes sociais, realizar campanhas capazes de promover práticas diárias que estimulem o voluntariado, a fim de atender as necessidades da população carente. Ao Ministério Público, por sua vez, compete promover a defesa de ordem jurídica e a redução das desigualdades sociais, por meio de projetos nacionais veiculados à grande imprensa, que motivem a adesão dos cidadãos a ONGS, e entidades sem fins lucrativos, a fim de estimular o terceiro setor da economia. Assim, será possível construir uma nação livre, justa e solidária, que promove o bem comum, como fundamentado na Constituição Brasileira.