A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 29/06/2021
A teórica política alemã, Hannah Arendt, utiliza a expressão ‘‘Banalidade do Mal’’ para explicar o formato trivial de instalação de problemáticas em sociedades contemporâneas. Nesse sentido, a análise da pensadora associa-se à desvalorização do trabalho voluntário no Brasil, já que as frágeis relações sociais e a passividade do Estado acentuam essa situação degradante. Dessa forma, essa vicissutude tem origem na escassez de organizações sociais e na educação tecnista nacional, por isso, deve-se debater e mitigar tais entraves para garantir o bem-estar social.
Em primeiro lugar, é evidente que a falta de instituições comunitárias perpetua a desvalorização de serviços de mútua cooperação na sociedade brasileira. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o homem em seu estado de natureza, desprovido de organização social e liberto, tem um caráter egoísta e egocêntrico, o que inviabiliza a cooperação entre os indivíduos. Seguindo essa lógica, a carência na formação de ONGs e organizações regionais de serviços voluntários provoca uma fragmentação social, o que prejudica a disposição da população para a realização de trabalhos em prol do bem comunitário. Dessa forma, isso gera a desvalorização do trabalho voluntário, uma vez a escassez desse engajamento social mantém o indivíduo restrito aos seus interesses pessoais e não ao bem-estar da população.
Em segundo lugar, cabe ressaltar que a educação tecnista das escolas brasileiras acentua essa problemática. Embora a Constituição Federal de 1988 afirme que a educação é um direito de todos e promovida pelo Estado visando o desenvolvimento e exercício da cidadania e dos direitos humanos, tal afirmação não é notória na prática. Isso porque, o sistema educacional visa estritamente a qualificação técnica do aluno, o que negligencia o desenvolvimento de relações altruístas e de cooperação entre os alunos e profissionais. Sendo assim, o fruto dessa formação educacional são adultos que não se colocam no lugar do outro e desvalorizam qualquer ação que não traga benefícios para si mesmo.
Portanto, infere-se que assegurar a organização de projetos sociais e uma educação interativa são medidas para mitigar a problemática, por isso, cabe ao Estado efetivá-las. Primeiramente, o Governo Federal deverá criar um projeto de incentivo à formação de organizações comunitárias, por meio de subsídios e engajamento em redes sociais, com a finalidade de desenvolver a cooperação entre as pessoas, assim fortalecendo os serviços voluntários. Segundamente, o Ministério da Educação deverá criar uma política de relações afetivas em escolas e creches, por meio do incentivo à interação em brincadeiras e aulas interativas com os alunos, com o intuito de fortalecer os laços sociais e garantir o desenvolvimento de relações altuístas a longo prazo, logo issoo valorizará o trabalho voluntário futuramente. Por fim, tais medidas mitigarão a problemática no Brasil.