A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 12/07/2021

Em sua fase realista, o escritor Machado de Assim, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não muito distante da ficção, percebe-se aspectos semelhantes no que tange à questão da desvalorização do trabalho voluntário. De modo que, cerca 95,7% da população não realiza nenhum atividade voluntária, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Infere-se, portanto, que as causas dessa problemática não apenas é a falta de empatia, mas também o legado histórico do Brasil.

Dessa maneira, em primeira análise, o individualismo apresenta-se como um obstáculo que dificulta a promoção da ajuda voluntária no país. Nesse viés, na obra “Modernidade Liquída”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. Por conseguinte, percebe-se que a tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira uma vez que pouco se valoriza e incentiva essa prática.  Assim, conclui-se que essa liquidez que influi sobre a questão da problemática funciona como um forte empecilho para sua resolução.

Em segunda análise, verefica-se que a herança social deixa pelos ancestrais é um desafio presente no problema. Tendo em conta que a prática do voluntarismo é pouco promovida na sociedade, principalmente nas escolas e faculdades.  Nesse sentido, consoante a Émile Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a desvalorização desse atividade é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social egoísta, a tendência é adotar esse comportamento também. Haja vista que, a sociedade incentiva as atividades remuneradas, tornando assim, a sua solução  para o problema ainda mais complexas.

Dessarte, evidencia-se a necessidade de serem tomadas atitudes pelas autoridades competentes para amenizar essa questão. Logo, as Escolas, por meio de verbas governamentais, deve promover palestras que demonstrem a importância do trabalho voluntário. Ademais, as Organizações não governamentais, em parceria com Influenciadores Digitais, por meio das redes socias, como Facebook e Instagram, devem promover campanhas que incentivem a população a participarem das ações solidárias. Desse modo, o fito de tal ação não apenas é romper com o legado egoísta de nosso país, como também incentivar trabalho voluntário no Brasil. Somente assim,  essa prática será gradativamente incorporada em nosso país, pois conforme Gabriel O Pensador, “na mudança do presente, a gente molda o futuro”.