A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 13/07/2021
Segundo a primeira lei de Newton, conhecida como “Princípio da Inércia”, a tendência de um corpo é permanecer parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da física, é perceptível a mesma condição, no que concerne a persistência na desvalorização do trabalho voluntário no Brasil, o qual segue sem uma “força” capaz de mitigá-la. Nesse sentido, surge a falta de incentivo ao voluntariado aliado ao individualismo do cidadão como motivos dessa desvalorização. Dessa forma, são relevantes estratégias para garantir uma valorização maior do trabalho voluntário no Brasil.
Em primeiro lugar, vale citar como, no Brasil, o voluntariado não é incentivado como deveria. Nessa perspectiva, o filme “Elefante Branco” mostra dois padres argentinos determinados em afastar jovens do tráfico nas comunidades. Fora das telas, o longa demonstra, em uma situação social similar a dos brasileiros, a relevância dos atos humanitários na formação de muitas crianças e adolescentes vulneráveis. Surgem, nesse contexto, a mídia e as instituições governamentais que não incentivam o trabalho voluntário. Posto isso, é inegável como o Brasil torna-se um contraexemplo, haja vista que 40% dos jovens vivem em situação de pobreza, de acordo com levantamento recente do Instituto Datafolha.
Outrossim, há um estilo de vida individualista que permeia a sociedade brasileira. Sob esse prisma, segundo o filósofo Nietzsche “Para ver muitas coisas é preciso desaprender a olhar para si mesmo”. Semelhante aforismo corrobora para cristalizar o entendimento de que o individualismo não cabe na sociedade e que há a necessidade de o ser humano ser altruísta. Nesse viés, a falta de compaixão e de um senso de coletividade maior impede a proliferação do voluntariado, uma vez que as pessoas não veem vantagem em ajudar o outro de graça. Por conseguinte, é notório como o baixo interesse da população em participar de ações voluntárias vem desse individualismo enraizado na sociedade que necessita ser combatido com o amor-próprio de cada um.
Infere-se, portanto, que a falta de incentivo e o individualismo da sociedade fomentam a desvalorização do trabalho voluntário no Brasil. Logo, é imperioso que o Ministério da Educação promova debates, por meio de vídeos e aulas on-line sobre a necessidade de ser mais altruísta no mundo contemporâneo e de como cada um pode ajudar o outro independente de qualquer órgão governamental, com o fito de buscar uma maior valorização do voluntariado no Brasil.