A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 24/07/2021

Princesa Diana foi uma um membro da realeza britânica muito amada e conhecida por sua generosidade na participação de caridades e, em diversos trabalhos voluntários. Dito isso, seu caráter altruísta impactou muitas pessoas ao redor do mundo pois, mostrava que além do título e da coroa, havia um ser humano que sentia pelos menos afortunados. Entretanto, apesar de suas atitudes, tocantes e inspiradoras, o trabalho voluntariado ainda sofre com desafios, como a falta de acesso e o estilo de vida individualista que se tornaram obstáculos para a valorização dessa nobre atitude. Assim sendo, são prementes estratégias para combater a desvalorização do trabalho voluntário em nome de uma sociedade harmonica e unida.

Em primeiro plano, é lícito destacar que a desinformação do trabalho arbitrário é um aliado para sua desvalorização. Nesse viés, segundo o filósofo Platão em sua teoria das ideias, a realidade é aquilo que percebemos através de nossos sentidos, mas, existe uma realidade ideal, metafísica, fora da caverna, onde as coisas vão além do físico e são contempladas pela razão. De forma análoga, para sair da caverna metaforizada por platão, e valorizar o trabalho voluntário é necessário conhecer a respeito do tema em questão. Nesse contexto, a carência de divulgação na mídia não incentiva esse trabalho e, não informa às pessoas interessadas sobre os locais que estão precisando de voluntários. Ademais, a falta de conhecimento do funcionamento desse trabalho, deixam as pessoas no escuro sobre como ajudar, dificultando a sua busca e atitudes caridosas. Dessa forma, a falta de informação aliada com a carência do incentivo distanciam pessoas de ONGs que precisam de trabalhos voluntários.

Em segunda instância, é gritante que um estilo de vida individualista se choca com as atitudes humanistas do trabalho voluntário. Nesse sentido, no filme Um Conto de Natal, Scrooge, o protagonista arrogante e egoísta, é visitado por 3 espíritos natalinos que mudam seu olhar diante as pessoas e a vida o tornando feliz e bondoso. Fora das telas, muitos brasileiros possuem um comportamento similar com o de Scrooge, colocando seus interesses em premência e, então, desvalorizando o trabalho voluntário. Sob esse prisma, a falta de altruísmo e falta de compaixão por aqueles que precisam culmina outro dilema, a invisibilidade social uma vez que, esses carentes serão ignorados pela vasta maioria do corpo social brasileiro que possui um comportamento não filantropo. Isso posto, esse olhar sobre a vida diminui o senso de coletividade, abaixando o interesse do público em participar de ações voluntárias.

Depreende-se, portanto, que a falta de acesso, juntamente com o estilo de vida egocêntrico são pontes para a desvalorização do trabalho voluntário, que devem ser demolidas. Desse modo, é imperioso que intervenções, como as dos espíritos, sejam realizadas pelo Ministério da Educação, sobre a importância do trabalho voluntário, tanto para a gratificação pessoal, quanto para bem do que está sendo ajudado. Através, de maiores discussões em escolas e maiores divulgações dos trabalhos pelas ONGs, o Ministério teria o intuito de atrair o público jovem e formar jovens com atitudes parecidas com as da Princesa Diana, altruístas e filantrópicas, para um Brasil mais ético, harmônico e unido.