A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 26/07/2021
O “TETO” é uma organização que visa acabar com a situação de pobreza em que vive como comunidades precárias, a partir da mobilização de jovens voluntários operantes em 19 países da América Latina, incluindo o Brasil. Nesse sentido, tem-se que nós se mobilizam em prol do auxílio ao outro, sem fins lucrativos, por meio de iniciativas humanitárias, com o objetivo de promover uma sociedade mais justa e igualitária. Entretanto, a desinformação aliada ao individualismo da população, geram a desvalorização do trabalho voluntário. Posto isso, são substanciais objetivos para os programas de voluntariado tenham maior alcance e melhor funcionamento.
A princípio, é fato que o desconhecimento do ser humano sobre o funcionamento das iniciativas altruístas não remuneradas potencializa a criação de mitos e estereótipos negativos acerca desse tipo de ação. Nesse contexto, segundo pesquisas da plataforma digital G1, a falta de divulgação e disponibilidade de informação sobre o voluntariado distanciam as pessoas desse tipo de trabalho, uma vez que o indivíduo desconhece as formas e os lugares de atuação. Além disso, muitos acreditam que essas atitudes solidárias demandam de muito tempo e energia do prestador de serviço, sendo que, na verdade, é um compromisso que gera satisfação e diversos benefícios, tanto para o voluntário, quanto para o receptor do serviço. Posto isso, em razão da criação de mitos, o preconceito cresce e as pessoas ficam cada vez mais distantes desse tipo de ação.
Outrossim, o individualismo na sociedade está diretamente atrelado à desvalorização de atitudes altruístas. Sob esse prisma, o psicanalista Antonio Quinet, em seu livro “Um olhar a mais”, defende que a sociedade contemporânea é mediada pelo olhar. Nessa ótica, é perceptível o olhar egoísta de muitos, o que mitiga a solidariedade e o humanitarismo, essencial para o desenvolvimento desses projetos de voluntariado. Isso porque a sociedade se torna mais competitiva e egocêntrica, assim, como pessoas agem somente em benefício próprio e, muitas vezes, em detrimento do coletivo, o que gera certo desinteresse pelas iniciativas de auxílio às comunidades mais vulneráveis. Desse modo, em razão desse egoísmo como relações ficam frágeis, visto que as pessoas se tornam incapazes de perceber e valorizar como necessidade do outro, conforme defendido por Bauman,
Portanto, a desinformação e o egocentrismo potencializam o problema discutido. Logo, é basilar que o Ministério da Educação promova projetos de aulas, desde o ensino fundamental, mediante a criação de uma nova disciplina, sobre a qualidade da ética e da humanidade, com exemplos de iniciativas e ações solidárias do dia a dia, como programas humanitários e pequenas atitudes empáticas, com o fito de criar o hábito do voluntariado dentro da população desde a juventude.