A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 27/07/2021

O Imperativo Categórico de Kant conduz à ação correta, independente da circunstância. Sob essa ótica as ações voluntárias podem ser a ação correta para remediar muitas mazelas sociais. Entretanto, a falta de uma educação voltada para o voluntariado e o atual estilo de vida individualista têm promovido a desvalorização do trabalho voluntário no Brasil. Observa-se, pois, a premência da análise das motivações e dos efeitos sociais dessa problemática, em nome de um país mais benevolente.

Em contexto inicial, é fato que a carência de projetos de voluntariado nas escolas está diretamente atrelada à questão em pauta. Nesse contexto, Marie Curie acreditava que na vida não existe nada a temer, mas a entender. A premissa da cientista conduz a uma reflexão sobre os impasses que impedem o entendimento de questões sociais relevantes, como as iniciativas solidárias. Nesse viés, sem o conhecimento adequado sobre essas atividades, muitos sujeitos deixam de obter informações relevantes, como inscrição, tempo a ser dedicado e confiabilidade das instituições. Assim, devido a  essa inoperância educacional voltada para a ajuda ao outro, são ainda incipientes no Brasil projetos que visam à coletividade e à solidariedade, como o Peregrinos de Calça Jeans, do Colégio Antônio Vieira, em Salvador, formado por adolescentes e que propõe uma transformação social por meio da música.

Outrossim, o egoísmo entremeado no corpo social desvaloriza o voluntariado. Sob esse prisma, o psicanalista Antonio Quinet, em sua obra, “Um olhar a mais”, defende que a sociedade contemporânea é mediada pelo olhar. Sob essa ótica, o olhar egocêntrico de muitos impede que realizem atividades que não lhes garantam retorno financeiro. Isso porque a escassez de altruísmo e a falta de compaixão e de senso de coletividade faz com que incontáveis cidadãos se distanciem de propósitos solidários, pois costumam agir apenas em benefício próprio. Posto isso, em virtude dessa postura individualista, os indivíduos se tornam focados apenas no desempenho e na recompensa financeira e negligenciam a ajuda ao próximo, conforme abordado por Byung-Chul Han, em sua obra “Sociedade do Cansaço”.

Infere-se, portanto, que a carência de projetos educacionais voltados para o voluntariado e o egoísmo potencializam a problemática discutida. Logo, é basilar que o Ministério da Educação promova programas lúdicos que visem à educação em Direitos Humanos, mediante a criação de jogos interativos que abordem a importância do trabalho humanitário e mostrem informações sobre instituições que aceitam pessoas para ajudar, em parceria com escolas públicas e privadas, com o fito de orientar as futuras gerações sobre a proeminência de iniciativas solidárias e de aumentar os índices de voluntários em causas nobres. Destarte, os brasileiros poderão praticar a ação correta por meio do  voluntariado.