A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 31/07/2021

O advento da Globalização, intensificada no período pós Guerra Fria, transformou drasticamente as relações de produção e consumo, tornando-as individualistas e competitivas. Dito isso, o egocentrismo com vistas ao lucro e ao benefício próprio em primeiro plano, apresentam-se como um obstáculo para o exercício de ações solidárias no Brasil. Nesse sentido, a crescente falta de altruísmo e empatia aliada à escassez de informações sobre iniciativas voluntárias contribuem para a desvalorização de ações proativas na sociedade verde-amarela. Assim, estratégias de combate a tais desafios são prementes para a valorização do trabalho voluntário no país.

Em uma análise inicial, é fato que a diminuta prática da empatia e da solidariedade com o próximo faz-se ainda carente no Brasil. Nesse viés, a maior fluidez e superficialidade nas relações interpessoais, provocada pela lógica imediatista de consumo vigente, como descrito por Bauman em sua obra “Modernidade Líquida”, dificulta o exercício de ações altruístas e massifica o estigma de desvalorização do trabalho voluntário no país. Isso porque muitos se negam a doar seu tempo para servir o outro e se tornarem colo que acolhe e braço que envolve, como afirma a poetisa Cora Coralina, em seu poema “Saber Viver”. Desse modo, enquanto a manutenção de comportamentos egoístas for uma regra, atitudes proativas em relação ao outro serão uma exceção.

Outrossim, a falta de informações objetivas e amplamente acessíveis sobre ações de trabalho voluntário, tornam raros os exemplos de voluntariado na sociedade. A esse respeito, muitos indivíduos, sem a devida informação, tendem a acreditar que a atuação de ONGs - tais como Médicos sem Fronteiras, Cruz Vermelha, ou, até mesmo, Doutores da Alegria - em comunidades em situação de grande vulnerabilidade correspondem às únicas alternativas de ações assistencialistas no Brasil e, consequentementr, deixam de realizá-las. Dessa forma, nota-se como crítico expoente para a escassez de trabalho voluntário no país, a carência de informações sobre tais ações.

Impende, pois, incentivar iniciativas proativas e, assim, combater a desvalorização do trabalho no Brasil. Para isso, urge que o Ministério da Educação (MEC) promova palestras informativas e de orientação o sobre ações voluntárias, por meio de uma parceria com o Ministério da Cidadania, para a realização de seminários com voluntários experientes e especialistas que divulguem locais os quais essas atividades se fazem presentes. Tal ação, por conseguinte, tem o fito de promover a valorização e a ampliação do voluntariado, ainda incipiente no país.