A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 03/08/2021
“Toda hora é hora de fazer o que é certo”. A máxima do ativista político Martin Luther King consagra a relevância de ações positivas para promover o bem-estar dos indivíduos, principalmente aquelas advindas do voluntariado. Entretanto, a falta de educação acerca do trabalho voluntário e o individualismo intrincado na sociedade potencializam a considerável desvalorização desse tipo de iniciativa solidária no Brasil. Observa-se, pois, a premência de estratégias de dignificação dessas atividades, de modo a suscitar um corpo social mais empático.
Vale ressaltar, a princípio, como a desinformação é um catalisador da questão em pauta. Nesse contexto, a teoria da Tábula Rasa, de Locke afirma que o ser humano é um papel em branco a ser preenchido por conhecimentos ao longo da vida. Analogamente, uma parcela da população ainda é uma “folha em branco”, pois carece de informações e de incentivos quanto às ações voluntárias. Nesse viés, o brasileiro, por vezes, desconhece a confiabilidade das instituições, como a TETO - a qual constrói casas para pessoas carentes - e como ingressar no voluntariado, em razão da escassa divulgação desse tema na mídia. Dessa forma, essa carência de dados sobre as iniciativas solidárias impede a visibilidade e o recrutamento de potenciais voluntários.
Em segunda instância, é fato como um estilo de vida contemporâneo que negligencia o altruísmo desvaloriza atitudes sem fins lucrativos. Sob esse prisma, o filósofo Byung-Chul Han, em seu livro Sociedade do Cansaço, afirma que as pessoas estão focadas no desempenho e na recompensa financeira, mas não na ajuda ao próximo. Para além das páginas literárias, é perceptível como uma sociedade competitiva é capaz de desprezar aquilo que não traz benefícios econômicos. Nessa perspectiva, uma conduta que menospreza a empatia tende a inibir o senso de coletividade e a compassividade, virtudes essenciais para o exercício do voluntariado, conforme demonstrado pela organização Doutores da Alegria, a qual leva a arte dos palhaços para hospitais de todo o país e proporciona o bem-estar de incontáveis enfermos. Assim, o egoísmo reduz a participação dos cidadãos no trabalho voluntário e mitiga o interesse em fazer parte de instituições como Doutores da Alegria.
Depreende-se, portanto, que a lacuna na educação sobre ações solidárias e a indiferença no que circunda assuntos sociais culmina na desvalorização do voluntariado. Desse modo, e maiúsculo que o Ministério da Educação promova campanhas informativas, voltadas para toda a população, por meio de palestras e campanhas televisivas, acerca da importância de realizar atividades solidárias e voluntariar-se em instituições voltadas a ajuda de indivíduos em situação de vulnerabilidade, com o objetivo de recrutar voluntários e sentimentalizar o corpo social.