A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 05/08/2021

A sociedade brasileira vive um paradoxo: os interesses individuais se sobrepõem aos anseios coletivos. Em um cenário assim, é de se salientar a necessidade da valorização do trabalho voluntário, em que, devido ao egocentrismo de alguns cidadãos, muitos indivíduos e instituições ficam à mercê da precariedade. Isso ocorre, em grande medida, porque as transformações ocorridas no Brasil fomentam discussões exaltadas acerca do individualismo contemporâneo, bem como a respeito da falta de incentivos para a prática do voluntarismo.

É de fundamental importância pontuar, de início, que o individualismo sempre esteve presente na sociedade, ocultando os benefícios que o voluntariado traz para a comunidade. Nessa perspectiva, vale lembrar do papel exemplar de Madre Teresa de Calcutá, uma simples missionária, que dedicou a vida para ajudar ao próximo sem receber nada em troca. Diante dessa ação voluntária, Madre de Calcutá ganhou o prêmio Nobel da Paz, em 1979. Nessa direção, é notório que o individualismo aprisiona muitas pessoas a fim de não praticarem ações solidárias e isso tem gerado uma desvalorização do serviço espontâneo.

Paralelo a isso, é válido pontuar, ainda, que a falta de incentivo impede que o trabalho voluntário seja mais presente no Brasil. Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, apenas 4,3% dos brasileiros praticam atividades voluntárias. Diante dos dados apresentados, pode se comprovar que existem inúmeras resistências da população para ser um voluntariado e essa situação solidifica a ideia de haver pouco incentivo para tal ação.

Evidencia-se, portanto, que a desvalorização do trabalho voluntário constitui um obstáculo para a consolidação de um país mais generoso e solidário. Nesse sentido, é fundamental ressaltar a frase da Madre de Calcutá, que diz: “A falta de amor é a maior das pobrezas”. Para que atos caridosos de voluntariado aconteçam, urge que os governadores estaduais promovam arrecadações de alimentos para serem doados para pessoas e instituições que estejam necessitadas, de maneira que sejam alcançados muitos cidadãos, para que erradiquem seu individualismo. Isso pode ser feito com doações mensais. Além disso, cabe às mídias de comunicação trazer propagandas que incentivem ao voluntariado. Essa medida pode ser feita de maneira emotiva para comover o telespectador, de forma que os indivíduos tenham o apoio necessário para praticarem essas ações. Quem sabe assim, com essas aspirações, o Brasil melhore a pobreza e seja referência ao se tratar de solidariedade.