A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 14/08/2021
Os empecilhos em torno do trabalho voluntário no Brasil, representa um urgente desafio social e político.Tanto que, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apenas 7,2 milhões de pessoas realizaram atividades de trabalho voluntário, o que corresponde a 4,3% da população do país. Sem dúvida, essa desvalorização se deve a negligência estatal, bem como a passividade social.
Nesse contexto, historicamente, o poder público brasileiro não investe de maneira efetiva para resolver esse impasse. Assim, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, retrata na sua obra “Retrotopia’’, que o Estado, de maneira intencional, é o principal causador de impetuosidades, em que não em investe em políticas públicas distributivas, conjunto de ações para atenuar, reverter e prevenir problemas sociais. Nessa perspectiva, há a ausência de incentivo, em ambientes de ensino sobre a importância do trabalho voluntário ser realizado desde de cedo pelos estudantes, tal como a falta de integração do governo e da mídia com campanhas e publicidades que disponham esse tipo de ação. Sob essa ótica, tem como consequência, a transgressão da lei que considera o trabalho voluntário como um vínculo social, a invabializar a ação integral de tal mecanismo jurídico.
Por outro lado, a passividade da teia coletiva é fator catalisador desse cenário. Nesse âmbito, Zygmunt Bauman, expõe no seu livro ‘‘Cegueira Moral’’, a sociedade atual como o fim o próprio eu, causadora da forte indeferença para com seu semelhante. Dessa maneira, as atitudes éticas cessam devido à fluidez dos valores, visando atender os interesses pessoais, logo, aumentando o individualismo e não ofertando o devido valor ao trabalho voluntário. Isso porque, o voluntarismo não é uma atividade remunerada e não traz benéficios, diretamente, acadêmicos e trabalhistas, isso acaba a influenciar o desinteresse da população pelas dificuldades dos demais grupos necessitados e constroi o pensamento que esse tipo de ação só deve ser realizado se tiver algo em troca. Diante do exposto, gera-se um círculo vicioso, uma vez que esse comportamento tende a ser incorporado devido à vivência em grupo.
Portanto, urge a necessidade de medidas para remodelar os fatores políticos e sociais. Para isso, Poder Executivo, deve investir em políticas públicas que estimule a sociedade a realizarem trabalhos voluntários, por meio da criação da disciplina de cidadania na grande curricular, levar os alunos a hospitais, comunidades que precisam desse tipo de atividade e promover uma atividade mídiatica — através da internet, jornais, tv — sobre a relevância desse afazer e alterar a Lei de Diretrizes Orçamentárias, conjunto de condutas de redirecionamento financeiro usadas para o incremento social, a fim de superar tal celeuma.