A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 23/08/2021

O trabalho voluntário é definido pela Lei 9.608/1998 como a atividade não remunerada com objetivo cívico, cultural, educacional, científico, recreativo ou de assistência social. No contexto brasileiro, todavia, esse legado não é efetivado pelos cidadãos, devido à desvalorização da atividade voluntária. Esse cenário, então, não só denota prejuízo à coesão social, como também fomenta a atuação mais incisiva do poder público e da sociedade civil para transformarem essa realidade. Tal problemática, em suma, deve-se à falta de empatia, bem como à dinâmica econômica.

Em uma primeira análise, observa-se que a falta de empatia e a influência cultural agravam o problema do trabalho voluntariado. Prova disso é Índice Global de Solidariedade (IGS), que consiste em uma estatística na qual são apresentados os índices de solidariedade de cada país, e o Brasil, no ano de 2018, caiu para a 122ª posição nesse ranking. Isso revela, por conseguinte, como atitudes altruístas são diminutas na sociedade brasileira, pois em uma “Sociedade do Cansaço”, conceito proposto pelo filósofo Byung-Chul Han, as pessoas são focadas no empenho e na recompensa financeira. É notório, assim, uma sociedade egocêntrica, que não enxerga as atitudes voluntárias como meio para integrar a alteridade no meio.

Ademais, em uma segunda análise, mais contundente, nota-se como o capitalismo influencia no trabalho voluntário, uma vez que, o sistema econômico define tempo como dinheiro, logo atitudes solidárias significam perda de rentabilidade. A consequência da consolidação desse pensamento é a falta de amparo financeiro e social dos componentes do Terceiro Setor, no caso as ONG’s, para auxiliar com fins públicos e não lucrativos mazelas sociais, que deveriam ser mitigadas pelo Estado. Sob esse prisma, verifica-se a relevância das ações altruístas para remediar a negligência estatal em aspectos sociais, como a fome, oriunda do capitalismo.

Percebe-se, portanto, que a Lei 9.608/1998 deve ser visibilizada para efetivar a importância do trabalho voluntário. De Início, o Ministério da Cidadania, juntamente com a mídia, deve promover a educação informal da sociedade brasileira acerca da empatia social e da desconstrução da “Sociedade do Cansaço”, por meio da realização de telenovelas com elencos engajados, que enfatizem a importância da atitude voluntária para a alteridade, com o objetivo de promover ações solidárias no país e de subir a posição do Brasil no IGS. Paralelo a isso, cabe ao Ministério da Educação promover programas lúdicos que visem a educação em Direitos Humanos, mediante a criação de jogos interativos nas escolas, os quais abordem a importância da ação humanitária, com intuito de conscientizar as futuras gerações acerca da importância do voluntariado na sociedade.