A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 25/08/2021

Cruz Vermelha, Médicos Sem Fronteiras e Greenpeace. Todas elas são ONGs de voluntariado que promovem a harmonia em diversas áreas da humanidade ao redor do mundo. Entretanto, hodiernamente, é fulcral destacar a importância do trabalho voluntário na realidade brasileira e os problemas enfrentados nesse processo. Sob esse viés, a incapacidade do Estado em viabilizar tais atividades, aliada ao egoísmo vigente na sociedade moderna, agrava o cenário atual da conjuntura.

Nesse contexto, tem-se a influência da incapacidade estatal em promover ações de trabalho voluntário no problema. Nesse cenário, é relevante mencionar a fala do escritor inglês Samuel Johnson: “A vida não pode existir em sociedade senão através de concessões recíprocas”. Contrastantemente, na realidade brasileira contemporânea, a importância do voluntariado é indiscutivelmente desvalorizada pelo Estado, principalmente nos governos federal e estaduais, ao passo que são poucas as campanhas de fomento desse, o que acaba por desencorajar a população a realizar tais trabalhos e identificar sua merecida importância comunitária. Em vista disso, fica explícito que o quadro atual deve ser mitigado.

Faz-se oportuno, sob um segundo olhar, indicar o egoísmo presente na sociedade hodierna brasileira como coadjuvante no agravamento do revés. Isso posto, a Atitude Blasé - termo proposto pelo sociólogo alemão no livro “The Metropolis and Mental Life” - ocorre quando situações que necessitam de extrema atenção passam a ser ignoradas pelo corpo social. Analogamente, o comportamento da população brasileira encaixa-se no que foi proposto por Simmel, ao passo que, muitas vezes, as importantes oportunidades de trabalho voluntário são ignoradas, e, consequentemente, relevantes ações de cunho social não são efetivadas. Logo, é intolerável que esse contexto assustadoramente ínscio perdure na nação brasileira do século XXI.

Infere-se, à vista disso, a imprescindibilidade de enaltecer a importância do trabalho voluntário na realidade brasileira atual. Para tanto, é imperioso que o Ministério da Cidadania (MDS) - órgão da administração pública federal responsável por políticas de desenvolvimento social - promova, por meio do redirecionamento de verbas federais, o incentivo do voluntariado em âmbito nacional e regional, com o fito de minorar a negligência estatal com relação ao tema. Paralelamente, o Ministério das Comunicações (MCom) deve realizar campanhas publicitárias - em redes sociais e em locais de alta circulação de pessoas - que estimulem atos de trabalho voluntário por parte do corpo social. Dessa forma, o Brasil do século XXI aproximar-se-á do real propósito de ONGs como a Cruz Vermelha, Médicos Sem Fronteiras e Greenpeace.