A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 29/08/2021
O filme “Patch Adams” retrata a história de um médico que se voluntaria para realizar brincadeiras e apresentações para crianças em tratamento oncológico. Nesse contexto, por meio do carinho e do amor, a ajuda ao próximo, de forma espontânea, é gratificante e colabora para o alcance da paz interior. Em contrapartida, devido a valores individualistas do homem pós-moderno e à falta de divulgação, nota-se a desvalorização do trabalho voluntário. São prementes, pois, estratégias para ensejar a vontade genuína de contribuir para a transformação de vidas em vulnerabilidade em vidas com dignidade.
É patente ressaltar, em primeira instância, os princípios egoístas propagados na sociedade contemporânea como alicerce para o descaso em relação ao trabalho voluntário. Nesse sentido, em sua célebre obra “Sociedade do Cansaço”, Byung-Chul Han afirma que os indivíduos do limiar do século XXI pautam suas ações no cumprimento de metas de produtividade e no ceifamento da humanização. Analogamente, a escassez de empatia e de compassividade na população compromete a reflexão acerca da magnitude de realizar ações efetivas para minorar as angústias daqueles que sofrem com os impactos dos abismos sociais. Posto isso, em razão desse individualismo, as minorias sociais permanecem desassistidas tanto pelo Estado, quanto pela população.
Em segunda análise, vale salientar a escassez de divulgações como base para a desvalorização do trabalho voluntário. Nesse viés, o Imperativo Categórico - desenvolvido pelo filósofo Immanuel Kant - conduz à ação correta pautada na ética e na garantia de felicidade ao maior número de pessoas. Entretanto, a sociedade permanece presa à sua menoridade, pois não desenvolve o senso de coletividade. Isso porque, sem a educação como expoente inspirador para suscitar a vontade de transformar realidades, não há a difusão de informações, como forma de ingressar, locais confiáveis e importância dessas iniciativas. Logo, é irrefutável que sem a disseminação do ideário voluntário, muitos deixam de desenvolver sentimentos, como a generosidade e a abnegação, o que compromete a efetivação da união e da ajuda da Pátria Amada Brasil.
Infere-se, portanto, que a desvalorização do voluntariado é fruto de valores individualistas e da escassez de divulgação. Assim, é basilar que o Ministério da Educação promova seminários na grade curricular das escolas, mediante palestras acerca da importância de ajudar ao próximo e da capacidade transformadora dos projetos voluntários, além de visitas a instituições carentes, como as realizadas pelo Núcleo do Voluntariado do Colégio Antônio Vieira, com o fito de suscitar a reflexão e a vontade de dedicar uma parte do tempo à formação de um país menos desigual. Destarte, formar-se-ão estudantes com valores humanistas, assim como Patch Adams, voltados para o progresso da Pátria Voluntária.