A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 10/09/2021
O pintor Pablo Picasso, na obra “Guernica”, apresenta uma flor no plano inferior da tela, simbolizando a ideia de esperança perante um cenário de destruição causado por um conflito bélico. É possível realizar uma analogia entre esse elemento simbólico e a desvalorização do trabalho voluntário no Brasil, já que, diante deste entrave, adotar uma postura otimista pode favorecer o “florescimento” de soluções. Nessa perspectiva, é imprescindível analisar o processo de conscientização e o investimento financeiro que envolvem essa questão no país.
Antes de tudo, compreende-se que o Poder Público tem se mostrado negligente ao permitir essa desvalorização. Isso porque existe uma falha no processo de conscientização, posto que falta estimular as pessoas a se candidatarem aos serviços voluntários que ajudam, por exemplo, as crianças em situações de rua. Essa realidade tem dificultado a realização desses projetos que buscam suprir as necessidades deste grupo e, por conseguinte, tem violado o seu direito à cidadania. Dessa maneira, nota-se que o Estado não tem assegurado o bem-estar de todos, o que evidencia o descumprimento dos preceitos republicanos estabelecidos na Constituição Federal de 1988.
Ademais, pontua-se que aceitar essa desvalorização é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado certa apatia diante da ausência de investimento financeiro estatal, visto que faltam verbas para desenvolver e aprimorar trabalhos voluntários públicos ou privados, como exemplo o voluntariado do Instituto Uno, o que tem comprometido a atenuação de problemas sociais tipo o analfabetismo. Recorrendo aos estudos da filósofa Hannah Arendt para explanar essa situação, constata-se que, devido a um processo de massificação cultural, os cidadãos têm perdido a capacidade de discernir o certo do errado, ficando, então, inertes frente aos entraves existentes.
Ressalta-se, portanto, que a desvalorização do trabalho voluntário deve ser superada. Logo, é necessário exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a conscientização dos indivíduos, priorizando palestras estimuladoras com líderes de serviços voluntários, a fim de aumentar o voluntariado e mais crianças terem suas necessidades suprimidas, garantindo sua cidadania plena. Além disso, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas feitas por ONGs, sobre a importância de não se adotar uma postura resignada perante a desconsideração dos trabalhos comunitários, potencializando, assim, a mobilização coletiva em prol de verbas, a partir do ministério competente, para o desenvolvimento e aperfeiçoamento desses projetos, amenizando os problemas sociais. Desse modo, seria possível solucionar essa problemática e não restringir a esperança à obra de Picasso.