A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 06/10/2021
De acordo com o jornal G1, a deputada estadual Janaina Paschoal, fez uma crítica negativa ao padre Júlio Lancellotti por distribuir alimentos às pessoas em situação de rua. De maneira análoga, no Brasil, a desvalorização do trabalho humanitário se torna cada vez mais frequente no país. Dessa forma, cabe analisar a principal causa, como a falta de empatia, a consequência, como a desestabilidade das ONGs e uma possível medida para esse impasse.
Sob esse viés, é válido ressaltar que a apatia faz com que os serviços voluntários não sejam valorizados. Segundo o sociólogo alemão, Georg Simmel, a atitude blasé é a indiferença dos indivíduos em relação aos acontecimentos em sua volta, pois as pessoas que vivem em uma área urbana estão tão acostumadas com os problemas sociais, como: cidadãos em situação de rua, criminalidade, animais maltratados etc, que passam a desenvolver um individualismo. Nesse sentido, é possível dizer que o egoísmo da idade contemporânea faz com que muitos sujeitos não se sintam na responsabilidade social de contribuir, seja doando ou participando, de trabalhos comunitários. Portanto, é inadmissível que a falta de solidariedade da população permaneça.
Ademais, a pouca aderência populacional ao serviço humanitário pode atingir as organizações não governamentais. Diante disso, em uma entrevista ao jornal G1, Inês Bestetti - criadora de uma associação de combate ao câncer - disse que sem o apoio social é difícil para as instituições se manterem e ajudarem os indivíduos que vivem de maneira vulnerável. À vista disso, pode-se afirmar que, sem o apoio populacional, estatal e midiático, o trabalho voluntário tende a ser cada vez mais invisibilizado e ter poucos adeptos. Sendo assim, é inaceitável que a ação comunitária continue sendo negligenciada pela sociedade
Desse modo, cabe a mídia televisiva e ao Ministério da Cidadania incentivarem a valorização do trabalho voluntário. A televisão, por sua vez, contribuiria por meio de campanhas publicitárias e matérias abordando sobre a desvalorização do serviço humanitário, a falta de estabilidade das ONGs e o porquê elas são importantes. Enquanto o Ministério, por sua hora, ajudaria por intermédio de cartilhas para a população, para fazer com que os individuos se sintam dispostos a participarem de maneira atva dos trabalhos comunitários. Dessa maneira, é possível deixar as organizações não governamentais estáveis e diminuir um pouco da atitude blasé da população, como dizia Georg Simmel.