A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 06/10/2021

Em 1929, durante uma grave crise econômica ocasionada pela quebra da bolsa de Nova Iorque, a qual teve impacto mundial, milhares de pessoas perderam muitos dos seus bens e passaram a viver e a depender de doações e do voluntariado. Nesse contexto, percebe-se a importância do trabalho voluntário no enfrentamento da vulnerabilidade social. Porém, na conjuntura brasileira vê-se uma considerável desvalorização desse trabalho. Diante disso, faz-se necessário analisar os alicerces que sustentam essa questão, a citar, a falta de informação e a ausência da valorização do autruísmo em diversas esferas da sociedade.

Primordialmente, é valido ressaltar que a falta de informação ocasiona criação de esteriótipos a respeito de qualquer situação, sobre o voluntariado não é diferente. Nesse viés, é lícito referenciar o filósofo Platão, que em sua obra “A República”, narrou “O Mito da Caverna”, o qual retrata pessoas aprisiodadas em uma caverna que só conseguem ver as sombras da perte exterior e acreditam que elas correspondem à realidade. Análoga a essa alegoria, não é difícil encontrarmos no imaginário do senso comum, uma ideia deturpada de que trabalho voluntário se resume a entregar sopa para moradores de rua. Sabe-se, no entanto, que há diversas formas promover a solidariedade: doação de sangue e dinheiro, construção de casas para pessoas que vivem na extrema pobreza, voluntariado na área de atuação profissional, dentre outras.

Ademais, vale destacar que a ausência de medidas que promovam o autruísmo contribui para a permanência da desvalorização do trabalho voluntário. De acordo com o IBGE, 2018, menos de 4,5% da população brasileira realiza voluntariado, nos Estados Unidos, contudo, segundo dados da Corporação para Serviços Nacionais e Comunitários - agência norte americana - 30% da população do país faz algum tipo de atividade voluntária, isso ocorre porque há, dentre outros benefícios, o aumento da pontuação para ingressar na universidade. Sendo assim, é notório que em uma sociedade que valoriza serviços solidários existe maior contigente de pessoas que contibuem para sua propagação.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar o impasse. Logo, é necessário que o Ministério da Cidadania em parceria com os veículos de imprensa e as mídias sociais, por meio de direcionamento de verbas e investimento, comuniquem sobre o assunto em campanhas, propagandas e novelas, evidenciando o quanto os trabalhos voluntários promovem benefícios para quem o recebe, tanto quanto para quem o realiza, a fim de que a população seja mais informada e dessa forma aumente, palatinamente, as taxas de praticantes da solidariedade, capazes de socorrer aqueles que mais precisam, de maneira semelhante ao que ocorreu durante um crise de 1929.