A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 18/11/2021

Em 2015, a Organização das Nações Unidas estabeleceu a Agenda de Desenvolvimento, cujo o objetivo é incentivar ações humanitárias por meio de atividades voluntárias. Entretanto, a importância do trabalho voluntário não está claro para a sociedade contemporânea, o que dificulta o intuito da ONU em valorizar esse tipo de ação social. Nesse sentido, para melhorar esse cenário, há de se desconstruir o culto a individualidade, bem como a inércia do Estado.

Em primeiro lugar, é fundamental considerar que a indiferença dos indivíduos não possibilita a percepção de que ações filantrópicas são de suma importância para uma melhora na vida em sociedade. A esse respeito, o filósofo Adam smith - pai do liberalismo econômico - definia que o progresso coletivo só seria alcançado com ambições individuais. Contudo, a individualidade defendida pelo filósofo associa-se à sociedade capitalista e inviabiliza um pensamento coletivo dos indivíduos, os quais não desenvolvem o desejo de participar de ações humanitárias que visam diminuir as mazelas ocasionadas pelo próprio modelo liberal.

Ademais, a omissão do Governo impede que o trabalho voluntário seja difundido no pensamento do corpo social. Nesse viés, o autor Thomas Hobbes defende que o Estado é o responsável por garantir o bem-estar da população. Todavia, a falta de programas sociais que são realizados por trabalho não remunerado acentua as desigualdades, prejudica as pessoas marginalizadas e desumaniza aqueles que são incapazes de sanar as suas próprias necessidades. Logo, fica nítido que governantes que não valorizam o trabalho voluntário acabam por negligenciar a população de necessidades básicas e colaboram para que o país fique distante do conceito de Hobbes.

Portanto, para entender a importância do trabalho voluntário é necessário que mudanças sejam realizadas pelas autoridades e pelos indivíduos. Para tanto, o Ministério da educação deve incluir, no calendário escolar, debates e aulas de conscientização por meio de alteração na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a qual permitiria um suporte de ensino sobre a importância das ações sociais em um Estado Democrático de Direito. Dessa forma, essas medidas teria a finalidade de gerar o espírito de coletividade a partir da primeira infância, o que que contribuiria para que o Brasil cumprisse a Agenda de Desenvolvimento criada em 2015.