A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 20/11/2021

A ética segundo Aristóteles deve ser pautada na ideia de bem comum. No entanto, observa-se na vida cotidiana um afastamento desse ideal aristotélico simultaneamente à prevalência de um individualismo exacerbado, tendo em vista a desvalorização que o trabalho voluntário sofre no Brasil, em razão da dificuldade de acesso e do egoísmo. Assim, faz-se necessário uma análise crítica acerca da problemática para que se possa mitigá-la.

Em primeira instância, é válido ressaltar que segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos os seres humanos são iguais e possuem, sem qualquer distinção, os mesmos direitos e deveres. Entretanto, em razão da ineficiência estatal para garantir que tais direitos sejam postos em prática, torna-se imprescindível o trabalho voluntário, que, muitas vezes, atua em áreas nas quais o Estado é negligente. Porém, o voluntariado é uma prática pouco difundida na sociedade brasileira e, por isso, mesmo aqueles que têm a intenção de ajudar encontram dificuldades para acessar o serviço ou instituições confiáveis e, dessa forma, a adesão ao filantropismo se torna cada vez menor.

Em segundo lugar, conforme preconizava o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, “a essência da sociedade hodierna é o individualismo”. Nesse sentido, em uma sociedade capitalista como a que se vive, onde tempo é sinônimo de dinheiro, práticas de solidariedade não são atraentes, tendo em vista que demandam tempo e não proporcionam retorno financeiro. Assim, o voluntariado é visto com desconfiança pela sociedade e, por conseguinte, desvalorizado.

Em suma, medidas são necessárias para promover a filantropia no Brasil. Logo, cabe ao Ministério da Cidadania, por meio de leis e investimentos, com um planejamento adequado, estabelecer mecanismos que promovam o trabalho voluntário por meio de benefícios e reconhecimento aos trabalhadores voluntários para mostrar aos indivíduos a importância da filantropia. Além disso, é preciso que as instituições de ensino incentivem a adoção de tal prática desde a infância para que, a longo prazo, uma nova sociedade, que adote uma postura ética como aquela preconizada por Aristóteles, seja construída.