A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 28/01/2022

O neuropsiquiatra, Viktor Frankl, narra em seu livro “Em busca de sentido” sua dolorosa e desumana experiência no campo de concentração nazista, ele relata que mesmo em meio a tanto sofrimento a vida não precisa ser vazia, que de alguma forma poderia ela ser preenchida com algo que lhe desse sentido para continuar. Desta forma, não se pode negar que o sofrimento é presente a vida das pessoas, assim como continuará fazendo parte, pois a carência humana é um fato que muitas vezes independe de oportunidades ou vontades. Logo, a realização de projetos, como o trabalho voluntário, é de suma importância para vida de brasileiros, devendo ser, assim, esse serviço mais valorizado e incentivado pelo governo do país.

Nesse contexto, é importante destacar que há grupos que desempenham atividades voluntárias no Brasil, como os doutores da alegria, equipes de amparo animal, religiosos que realizam doações de alimentos e até moradores próximos que se reuniem e prestam esse tipo de trabalho. Porém, em contrapartida, são poucas as pessoas que se dispõem em ajudarem nesses movimentos sociais; principalmente, os jovens, infelizmente, o IBGE aponta que menos de 3% de brasileiros entre 15 e 25 anos participam de algum trabalho voluntário. Ademais, tal carência de voluntários em trabalhos humanitários, como os apresentados, torna mais escassa a quantidade de pessoas que virão a ser beneficiadas. Desse modo, o governo brasileiro deve expor de forma instrutiva aos cidadãos, sobretudo nas escolas, a importância do serviço voluntário para vida daquele a quem estão ajudando.

Outrossim, o quesito de desvalorização do trabalho voluntário deve ser reparado, para que não resulte em efeitos negativos na sociedade brasileira. Conforme disse Pitágoras que “é necessário educar as crianças para que seus erros não se repitam quando adultos”, caso a sociedade hodierna deixe de lado a empatia e o cuidado com próximo, os cidadãos do país serão mais egoístas e egocêntricos em suas próprias vidas; assemelhando-se a lei física da entropia: o universo tendendo a desordem – visto que as pessoas teriam “esquecido” uma importante virtude, a caridade, a qual torna o viver mais significativo e solidário em servir ao próximo.

Portanto, o MEC deve agir para que não ocorra uma desvalorização do trabalho voluntário no Brasil. De modo, que nas escolas públicas e privadas a partir do ensino fundamental ocorram palestras, pelo menos a cada 3 meses, com a presença de grupos que já exercem atividades voluntárias na sociedade, nesse ambiente, eles contariam suas experiências e como as crianças e os jovens podem também ajudar nessa causa. Sendo assim, as pessoas mais carentes de atenção, alegrias, alimentos, não se sentirão sós nem desamparadas, pois os brasileiros estarão atentos aos seus companheiros.