A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 28/01/2022
Nas escolas americanas, com os programas voluntários, os alunos são incentivados a realizar trabalhos em comunidades carentes, lares de idosos e de crianças. Essa iniciativa possibilita que esses passem a dar valor para as diversas causas existentes, e assim se voluntariar em prol do bem comum. Entretanto, no Brasil, o serviço filantropo não recebe a devida atenção, principalmente pelos jovens, por falha das instituições que não oferecem programas como os supramencionados, o que, consequentemente, contribui para que os indivíduos cresçam sem o espírito empático.
Em segundo lugar, é válido mencionar que a ausência de incentivo e programas realizados dentro das instituições de ensino, que coloquem o aluno no papel de voluntário, colabora para que visualizem esse trabalho com desprezo. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra Contínua, realizada em 2019, o trabalho filantropo foi feito por 6,9 milhões de pessoas no país, evidenciando um número crítico, quando comparado à taxa populacional total. Desse modo, com o auxílio do Ministério da Educação, será possível concretizar parcerias com comunidades carentes, lares de idosos e crianças, para que os estudantes, acompanhados de um professor treinado, visitem mensalmente tais lugares e sirvam aos necessitados, fazendo jus a importância desse serviço.
Em segundo lugar, enquanto medidas não se consolidam, os jovens tornam-se cada vez mais pessoas que não se colocam no lugar de outros indivíduos para entendê-los, no sentido psicológico, e não físico. Nesse viés, conforme Elias Abdalla, psiquiatra e pós-doutor pela Universidade de Londres, muitas vezes os indivíduos não reproduzem empatia justamente por nunca terem sido acolhidos por terceiros, ou seja, se o serviço voluntário fosse mais prestigiado na sociedade brasiliera, mais cidadãos seriam acolhidos, minimizando o cenário de um país na qual o ego prevalece sobre a empatia. A partir disso, as instituições de ensino devem propor tal acolhimento ao povo, ao ensinar os cidadãos a darem valor a essa causa, que promove tantas transformações no país.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Governo Federal e todas as escolas brasileiras, firmar um projeto que coloque em prática o trabalho voluntário, fazendo-lhe ser valorizado. Dessa forma, o primeiro deve elaborar um documento que exija tal aplicação pelas instituições, registrando quais serviços serão realizados, em quais localidades e datas. O segundo, por sua vez, se encarregará de treinar os professores dispostos a guiar os alunos até o local a receber ajuda, enviando para isso profissionais até a escola, onde serão realizadas palestras mensais voltadas ao treinamento. Por fim, cabe as redes de ensino aplicar as medidas e, também, incentivar o máximo de alunos a se inscreverem para os projetos, de forma que esse trabalho seja valorizado assim como nos EUA.