A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil
Enviada em 19/04/2022
Segundo o sociólogo nativo Sérgio Buarque de Holanda, e sua obra do Homem Cordial, o brasileiro típico é lotado de afeto, empatia e animação, talvez também sendo por isso que o consideram um dos povos mais receptivos do mundo. Consoante a ele, também, o cidadão tupiniquim seria o primeiro a ajudar quem precisa, devido à sua afetividade. Contudo, sabe-se que não é bem assim, uma vez que, a partir de dados do IBGE, sabe-se que nem metade da população faz trabalho voluntário. Logo, faz-se necessário refletir sobre a pergunta “por que este tipo de voluntariado é tão desvalorizado no Brasil?”.
A priori, pode-se observar que muitas pessoas talvez não façam esse tipo de trabalho humanitário devido à falta de conhecimento ou até mesmo de oportunidades na área. De qualquer forma, observa-se uma grande escassez no cotidiano do trabalho altruísta, mesmo com diversas situações carecendo dele, tais quais pessoas em situações de miséria, idosos em asilos e até zoológicos. É evidente, inclusive, que um obstáculo foi posto entre o voluntariado e os indivíduos, sendo mais uma barreira superficial, sobre a qual Zygmunt Bauman falou em sua obra de vida, Modernidade Líquida, na qual a superficialidade e a falta de empatia orgânica predominam na sociedade atual, e seu reflexo podendo ser visto justamente em situações como esta.
A posteriori, faz-se preciso que uma análise socioeconômica do país seja feita. As terras tupiniquins são herança de uma colonização de exploração, na qual predominou-se o modo de produção escravista e até servil em algumas épocas. Portanto, pode-se notar que é um país que vai, indubitavelmente, reproduzir a pobreza sempre que possível. Isso afeta o altruísmo de uma forma que, uma vez que os filantropos não veem resultado, sua motivação acaba diminuindo, e vão parando de ajudar.
Destarte, é crucial que o Governo Federal desenvolva campanhas de incentivo ao voluntariado em praças públicas, nas redes, escolas, falando suas partes boas e ruins, mas com enfâse na ajuda que isso seria na vida de alguem, a fim de criar uma sociedade mais parecida com a qual foi descrita por Sérgio Buarque de Holanda, com mais empatia e solidariedade.