A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 19/04/2022

Gilberto Dimenstein, em sua obra “O cidadão de papel”, tece uma crítica ao sistema vigente, o autor traz a definição de cidadão de papel ao indivíduo inexistente aos olhos do Estado, o que impossibilita o seu acesso a seus direitos normativos. Lamentávelmente, a desvalorização do voluntáriado no país ainda é um grave problema no Brasil. Essa realidade se deve, principalmente, ao sistema de ingresso as universidades e a falta de educação sobre o tema.

Em primeira análise, faz-se necessário mencionar o atual método de ingresso as faculdades federais e estaduais, são vestibulares que não levam em conta atividades extracurriculares, incentivando os estudantes a buscar exclusivamente conteúdo acadêmico. Para compreender os fatos, é justo relembrar a obra “Pedagogia da Autonomia” do escritor, Paulo Freire, na medida em que ela destaca a importância das escolas em fomentar não só o conhecimento científico, mas também habilidades socioculturais e emocionais, como a empatia e o respeito. Sob essa ótica, pode-se afirmar que, a grande maioria dos estudantes recebe uma educação conteudista, não incentivando atividades extracurriculares, como o voluntáriado, portanto não formam indivíduos da forma que Freire idealizou.

Em segundo lugar, ressalta-se que há, no Brasil, uma evidente falta de educação sobre o trabalho voluntário, fomentando o distânciamento da prática. Segundo o psicólogo suiço Jean Piaget “O principal objetivo da educação é criar pessoas capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que outras gerações fizeram”. Dessa forma, o cidadão brasileiro educação podemos cultivar uma cultura que estimule o voluntariado, criando o hábito da prática.

Infere-se portanto que os problemas de desvalorização do trabalho voluntário no Brasil precisam ser solucionados. Para tanto, o Ministério da Educação deve, por meio de verbas governamentais, inserir um novo processo de ingresso a universidades federais, por meio de alterações no SISU, que passará a considerar atividades extracurriculares em conjunto com a nota do ENEM, além de propagar conteúdo de cunho educativo sobre o tema, por meio de suas redes socias, a fim de formar cidadãos mais proativos e voluntários. Espera-se assim que o termo cidadão de papel se contenha apenas a literatura.