A desvalorização do trabalho voluntário no Brasil

Enviada em 07/10/2024

Em “Otelo”, obra literária do dramaturgo inglês William Shakespeare, é narrada a história de Otelo, general mouro a serviço do reino de Veneza. Na trama, Iago - alferes veneziano, afirma que as relações humanas, em sua gênese, são dotadas de ações prejudiciais à harmonia coletiva, mecanismo utilizado pelo escritor para exaltar o teor retrógrado da sociedade. Paralelamente, a desvalorização do trabalho voluntário no Brasil também é um retrocesso para o cenário brasileiro. Nesse ínterim, entende-se a presença do capitalismo e o obscurantismo de informações como causas do obstáculo.

De início, é lícito pontuar os frutos deixados pelo capitalismo como potencializador do entrave. Isso porque, embora os desdobramentos do mercantilismo no século XV tenha perpetuado o capitalismo como modelo de produção vigente, a incesante busca por lucro dificulta a valorização do trabalho voluntário, dado que a concepção ilógica, por parte de alguns, em exercer dada atividade em troca exclusivamente de pecúnia desvia o ser humano de relações humanitárias. Sob essa ótica, a ação involutária é vista por um viés desqualificante ao ser relacionada a um ato irrelevante. Á luz dessa perspectiva, de acordo com Karl Marx, sociólogo alemão, o capital reprime o humano à medida que norteia seus pensamentos. Desse modo, o trabalho voluntário é estigmatizado e, muitas vezes ignorado, haja vista a questão monetária sobressair os principios humanos.

Além disso, a escassez de informações sobre o trabalho voluntário alastra os efeitos de sua desvalorização no país. Nesse raciocínio, Arthur Schopenhauer, filósofo alemão, defende a ideia de ofertar à população conhecimento irrestrito para solver mazelas sociais. Nessa vertente, a quase inexistente de debate acerca das ações voluntárias afasta o entrave de uma possível resolução, uma vez que o trabalho voluntário é visto, na maioria das vezes, de forma concentrada a grandes conglomerados urbanos e apenas propicio ao enfretamento de problemas alarmantes noticiados pela mídia. Neste tocante, o corpo social brasilerio é incapaz de engarja-se volutariamnete ao passo que desconhece os recursos de mobilizção.

Dessa maneira, infelizmente, o ato voluntário continua desvalorizado graças ao caráter omisso e nada democrático da vinculação de informações.