A digitalização da economia

Enviada em 30/03/2021

Anthony Giddens afirmou que a modernidade se estabelece numa duplicidade sombria, uma vez que apesar de existirem tecnologias e métodos para a melhora da condição da vida humana, frequentemente essas inovações são utilizadas de maneira incipiente ou deturpada de valores. Um exemplo disso é a digitalização de serviços, como os bancos virtuais: são progressivamente mais acessíveis e adotados pelos brasileiros, facilitando o controle de dinheiro e aquisição de empréstimos. No entanto, riscos fundamentados na falta de informação e preparação com a qual os cidadãos foram inseridos nesse novo paradigma contrapõem-se às vantagens alcançadas.

A priori, apesar de muitos jovens terem facilidade com a tecnologia, muitos não foram educados para lidar com dinheiro de maneira apropriada. Com a expansão tecnológicas nas últimas décadas, os jovens de hoje cresceram tendo a capacidade de lidar com aparelhos eletrônicos, entretanto, como nas escolas do Brasil não existe uma preocupação em fornecer formação econômica aos alunos, a falta de educação financeira nas instituições prejudica muitas crianças. A partir dessas duas condições, o acesso é mais rápido a serviços bancários sem ter uma responsabilidade compatível com o dinheiro. Assim os adolescentes conseguem prontamente mexer em plataformas que envolvem dinheiro e serviços de pagamento, mas muitos deles acabam enfrentando problemas econômicos por não saberem controlar seu dinheiro, como altos endividamentos.

A posteriori, pessoas de faixa etária mais avançadas acumulam um maior conhecimento acerca de como lidar com dinheiro, mas o mesmo não acontece com a tecnologia. Isso ocorre porque não houve um esforço significativo para que fossem educados a lidar com segurança dos avanços. Nesse sentido muitas vezes, ao adotarem as instituições financeiras digitais, estão mais vulneráveis a possíveis golpes e fraudes virtuais. Entretanto, ainda que possuam bastante conhecimento e responsabilidade para mexer com suas economias, e terem menos riscos de contraírem dívidas, ainda podem ser lesados por falta de informação

Em vista dos argumentos apresentados, é importante que as escolas tanto privadas quanto particulares adotem aulas de educação financeira para que, os alunos cresçam sabendo lidar de forma consciente e responsável com seus dinheiros. Ademais, em relação à adultos e idosos que não se sentem cômodos no mundo tecnológico e possuem dificuldades para lidar com bancos e plataformas digitais, seria preciso um programa educativo para que eles aprendam a mexer de forma segura em bancos digitais e não cair em golpes online. Apesar dos benefícios da digitalização dos bancos, novos problemas podem surgir advindos do conhecimento incipiente nas áreas da tecnologia ou de financias.