A digitalização da economia
Enviada em 04/03/2021
Dentre as muitas percepções veementes de Victor Hugo expostas no livro intitulado “As contemplações” está a de que “O progresso roda constante sobre duas engrenagens: faz andar uma coisa esmagando sempre alguém”. Ao transcender estas palavras do poeta, dramaturgo e político francês para o cenário de digitalização da economia, vemos a integração do setor econômico como agente impulsionador da evolução social. Sendo assim, a conjuntura de historicidade da democratização do apoio às ideias empreendedoras e concomitantemente com a otimização de recursos com a conectividade entre comerciante e consumidor, acabam por explicitar ainda mais a necessidade desta transformação. Entretanto, quais as engrenagens devem estar alinhavadas para impulsionar esse processo?
Ao longo da história, projetos expansionistas, como é o caso do Imperialismo Europeu, em que ideologias baseadas no eurocentrismo e no Darwinismo social - teoria esta que corrobora com a dominação de povos considerados retrógrados - fomentaram ainda mais para que pequenos empreendedores nem sempre tivessem boas condições para empreender, o que deixa evidente a importância desta democratização de oportunidades. Por conseguinte, inferimos que com o crescimento dos grandes monopólios multinacionais, o movimento das startups vem na contramão deste fluxo, levando inspiração para que mais pessoas participem do território comercial e tenham maior competitividade sem que sejam “dominados” por quem possui maior aporte financeiro.
Ademais, é notório que a junção produtor-consumidor é essencial para que a rentabilidade do trabalho e dos recursos seja maximizada. À vista disso, é fundamental que toda a população tenha acesso a esses meios digitais, possibilitando assim uma maior assertividade no desenvolvimento de novos produtos e serviços baseados nos interesses dos potenciais consumidores, além de promover uma maior diversidade nas opções desses bens. Posto isso, para que o propósito desse novo método de organização econômica tenha sucesso, é crucial que o governo potencialize essa mudança coletiva. Em virtude dos fatos expostos e em consonância às palavras aqui pautadas, conclui-se que a migração do setor financeiro para o âmbito digital favorece a democratização do espaço e dos recursos para pessoas que empreendem. Assim, para ajustarmos essas “engrenagens” é primordial que o Ministério da Economia financie pequenas e micro empresas com juros mínimos, além de investir na conectividade em regiões com menor infraestrutura pública digital. Quando conseguirmos alinhavar igualdade de oportunidades econômicas e sociedade, engrenagens essenciais para o convívio dos seres humanos, tornar-nos-emos mais éticos e evoluídos democraticamente.