A digitalização da economia

Enviada em 07/06/2021

Em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou que o munto passa por uma pandemia por conta do novo coronavírus. Desde então, foram implementadas diversas medidas para conter o alastramento do vírus, como protocolos sanitários mais rígidos e medidas de distanciamento social. Com isso, os setores da economia brasileira que dependiam da presença dos consumidores tivereram forte recuo. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, em 2020, o produto interno bruto do país teve um recuo superior a 4%. Apesar da piora do panorama econômico, a pandemia propiciou uma grande aceleração da digitalização da economia, pois o e-commerce não teve restrições ao seu funcionamento. Contudo, a digitalização da economia traz dois grandes problemas: fortalece os grandes conglomerados empresariais e geram mais desemprego.

De início, vale ressaltar que os maiores beneficiados com o aumento do comércio online são as grandes empresas multinacionais, uma vez que dispõem de recursos para a melhora e a ampliação da logística envolvida no setor. Por exemplo, de acordo com a revista Forbes, a Amazon teve seu melhor trimestre de vendas já registrado no último ano graças às restrições ao contado social. Pode-se depreender disso que recursos financeiros antes gastos em empresas locais terão destino final em grandes multinacionais, o que propicia a geração de monopólios. Desse modo, os pequenos comerciantes locais tendem a desaparecer e com eles também somem diversos postos de trabalho.

Além disso, o aumento virtual das relações de troca favorece a precarização laboral e o desemprego. Na animação brasileira Irmão do Jorel, uma empresa monopolística chamada Shostners & Shostners controla todos os setores produtivos do universo conhecido e, dada a condição de única empresa existente, aproveita-se para explorar ao máximo seu único trabalhador não especializado, Wonderley, que é motorista, porteiro, caixa de supermercado, zelador, operador de máquinas agrícolas, dentre outras profissões.  A sátira é pertinente, pois pode ser notado que há relação de proporcionalidade inversa entre comércio digital e desemprego estrutural, que de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística já alcança mais de 15 milhões de brasileiros.

Portanto, para que essa problemática seja minorada, faz-se mister que o governo federal, por meio de lei, limite as operações das grandes multinacionais em território e fomente as atividades das empresas de porte pequeno e médio que criem empregos em território nacional. Para tal, deve ser edita lei que dê incentivos fiscais às empresas que atuem no comércio da web e empreguem brasileiros. Ademais, essa mesma lei deve sobretaxar as grandes multinaionais a fim de conter o avanço dos monopólios. Dessarte, haverá aumento no número de empregos e melhora da ecoomia nacional.