A digitalização da economia

Enviada em 22/06/2021

Segundo Yuval Harari, “Os humanos correm o risco de perder seu valor econômico porque a inteligência está se desvinculando da consciência”. Para o historiador, ao mesmo tempo em que as tecnologias e dispositivos digitais proporcionam facilidade na vida dos indivíduos, algumas competências ficam cada vez mais obsoletas. Bem como tal ponto de vista, a atualidade reforça a ideia de que a desigualdade digital e a falta de amparo tecnológico desfavorecem a população; ademais, o direito e o dever de saber usar corretamente as inovações tecnológicas que surgem ao nosso redor não é plenamente garantido. Assim, hão de ser analisados tais fatores para mitigá-los de maneira eficaz.

A priori, há muitos desafios que precisam ser enfrentados, dentre eles, a questão da desigualdade digital ainda vigente em uma grande parcela da população. Não apenas tem-se a questão da desigualdade digital, como também a falta de políticas público-privadas que incluem a participação ativa dos agentes econômicos e sociais, a falta de garantias trabalhistas para os novos modelos de trabalho e a falta de instrumentos adequados para a mensuração da economia digital nas atividades econômicas, todos obstáculos para a integração no trabalho digital. De acordo com a pesquisa realizada pela Folha de São Paulo em março de 2021, a desigualdade digital aprofundou efeito do isolamento social no comércio do Nordeste e o menor acesso à internet na região também é um entrave para o comércio local, só um exemplo da desigualdade digital marginalizando certo grupo.

Posteriormente, a tal obsolescência de empregos é algo a ser considerado com os avanços. Conforme Yuval Harari disserta, o maior temor que cerca a digitalização da economia é a redução gradual de certos cargos. Sob essa visão,  é crucial entender que a revolução da inteligência artificial não envolve apenas tornar os computadores mais eficientes. Ela se abastece de avanços nas ciências da vida e nas ciências sociais. Desse modo, fica evidente que quanto melhores se tornarem os computadores na reprodução de processos, é previsível a substituição de diversos cargos que ainda são feitos apenas por humanos. Dessa forma, a substituição total de habilidades exclusivamente humanas pode estar bem próxima sem certas intervenções.

Diante do exposto, medidas são necessárias para que os humanos não fiquem de lado com tais avanços. Logo, urge às Secretarias Municipais e Estaduais de Educação iniciativas para disponibilizar, ou adequar as infraestruturas tecnológicas das escolas, maior discussão do currículo dos ensinos básico e superior para aproximação das exigências atuais do mercado de trabalho, grade curricular do ensino básico com aulas sobre informação e digitalização econômica e maior discussão sobre as novas formas de trabalho para mediarmos a evolução do trabalho digital.