A digitalização da economia
Enviada em 24/06/2021
O progressivo processo de inovação nos setores tecnológicos tem atingido toda a sociedade. Nesse contexto, é importante que seja discutido a digitalização da economia, bem como os reflexos da chamada Revolução 4.0. Por um lado, a automação de processos antes manuais e onerosos oriundos das sucessivas Revoluções Industriais, causaram um crescimento econômico expressivo em todo o mundo. Contudo, é importante destacar que esse crescimento foi desigual, hierarquizado e a distribuição de riquezas continuou prestigiando países europeus e norte-americanos. Dessa forma, vale o questionamento: seria a digitalização da economia uma nova roupagem para concentração de renda?
Em primeiro momento, é importante destacar o que alguns autores chamam de Revolução 4.0. Segundo o geógrafo brasileiro Milton Santos, a revolução técnico-científico e informacional intensificada pós Segunda Guerra Mundial, criou princípios básicos para a digitalização da economica. Nessa seara, o crescimento em pesquisas em dispositivos eletrônicos, principalmente nas regiões do vale do silício nos EUA, a informatização das cadeias produtivas e também a difusão de investimentos em bolsas de valores, foram mecanismos primordias nessa forma de aquisição de capital.
Contudo, apesar do desenvolvimento obtido e ainda em curso e realidade material é caótica. Segundo dados divulgados pelo Instituo de Pesquisas Econômicas da USP, com base em pesquisas realizadas entre os anos de 2015 e 2020, concluiu-se que apenas 90% da economia digital encontra-se nos EUA e na China. Nesse contexto, verifica-se que países da subdesenvolvidos da América latina, Ásia e África, mais uma vez encontram-se à margem desse processo revolucionário. Dessa forma, a digitalização da economia é vista por muitos como uma nova forma de acumulação de riquezas nos centros de poder já existentes, relegando aos países com menor grau de desenvolvimento tecnológico as velhos funções de produção de minérios e gêneros alimentícios.
Portanto, cabe aos Estados em esfera mundial redesenhar esse cenário concentrador. Para tanto, é necessário que se estabeleça meios legais que versem acerca da aplicabilidade de recursos, evitando a concentração de renda e estimulando a economia em países periféricos. Cabe aos Conselhos Econômicos Nacionais, intensificar a participação estatal na economia do país, estimulando os crescimento das bolsas de valores locais, a produção de meios digitais que informatizem a economia do país e também, a valorização da educação e pesquisa. Dessa forma, essas atividades podem ser adquiridas por meio de: criação de industrias nacionais - no Brasil, a PETROBRAS é um exemplo -, criação de polos tecnologicos que produzam equipamentos eletrônicos e por fim, a distribuição de bolsas de apoio financeiro à universidades que atuem como centros de pesquisa e inovação.