A digitalização da economia
Enviada em 26/06/2021
O progressivo processo de inovação nos setores tecnológicos tem atingido toda a sociedade. Nesse contexto, é importante que seja discutida a digitalização da economia, bem como os reflexos da chamada Revolução 4.0. Por um lado, a automação de processos antes manuais e onerosos oriundos das sucessivas Revoluções Industriais, causaram crescimento econômico expressivo em todo o mundo. Contudo, é importante destacar que esse crescimento foi desigual, hierarquizado e a distribuição de riquezas continuou prestigiando países europeus e norte-americanos. Dessa forma, a digitalização da economia pode ser vista como mero instrumento para continuidade desse processo concentrador de renda.
Em primeiro momento, é importante destacar o que muitos autores chamam de Revolução 4.0. Nessa seara, o geógrafo brasileiro Milton Santos, argumenta que essa revolução seria basicamente a adequação do processo de globalização e sua integração aos princípios tecnológicos. Nesse contexto, o crescimento de pesquisas em dispositivos eletrônicos, principalmente em regiões do Vale do Silício nos EUA, a informatização das cadeias produtivas e também a difusão de investimentos em bolsas de valores, foram mecanismos primordiais na aquisição e concentração de capital por parte de parcela pouco representativa dos países. Ademais, segundo dados divulgados pelo Instituto de Pesquisas Econômicas da USP, com base em pesquisas realizadas entre os anos de 2015 a 2020, concluiu-se que assustadores 90% dos recursos da economia digital encontram-se nos EUA e China.
Nesse contexto, verifica-se que países subdesenvolvidos da América Latina, Ásia e Africa, mais uma vez encontram-se à margem desse processo revolucionário. Dessa forma, a digitalização da economia é vista por muitos autores como uma nova forma de acumulação de riquezas nos centros de poder já consolidados, relegando aos países com menor grau de desenvolvimento tecnológico as arcaicas funções de produção e exportação de minérios e gêneros alimentícios. Portanto, cabe aos Estado, em esfera mundial, redesenharem esse cenário concentrador. Para tanto, é necessário que seja estabelecido meios legais que versem acerca da aplicabilidade de recursos, evitando a concentração de renda e estimulando a economia de países periféricos.
Portanto, cabe a intensificação da participação estatal na economia dos países, estimulando o crescimento das bolsas de valores locais, a produção de meios digitais que informatizem a economia dos países e também, a valorização da educação e pesquisa. Dessa forma, essas atividades podem ser adquiridas por meio de: criação de indústrias nacionais, criação de polos tecnológicos que produzam equipamentos eletrônicos e por fim, o fomento a pesquisa tecnológica em universidades.