A digitalização da economia
Enviada em 05/07/2021
Investimentos sólidos e seguros, garantia de uma moeda forte e aplicações que gerassem renda fixa e que não sofressem os efeitos da inflação. Esses eram alguns dos princípios que deveriam nortear quaisquer discussões que pudessem levar a tomadas de decisões na economia. Contudo, com o desenvolvimento das diversas tecnologias da informação essas balizas se tornaram obsoletas, seja pela transformação dos meios de produção ou das relações de consumo, o que requer uma reinvenção no aparelho estatal responsável pelo controle do setor econômico.
Inicialmente, é importante frisar que estamos vivendo o que poderíamos chamar de quarta Revolução Industrial, que seria caracterizada justamente pela informatização das principais relações sociais, inclusive a economia. Nesse ínterim, o filósofo Zygmunt Bauman observa que tais relações são dotadas de uma liquidez nunca vista antes. Essas relações, nos dizeres do estudioso, duram um pequeno espaço de tempo e estariam influenciadas pelas atuais tecnologias da informação. Assim sendo, as relações econômicas não ostentam mais a mesma segurança verificada em outras épocas, por serem desenvolvidas no âmbito digital.
Além disso, cumpre destacar ainda que na atualidade grande parte dos diversos produtos que são colocados à disposição das pessoas nem precisam existir fisicamente, expostos em uma loja, basta haver a referência a ele em algum aplicativo desenvolvido para aquele fim. Nesse sentido, o portal G1 afirma que mais de 40% das compras feitas no ano de 2020 ocorreram de forma digital. Dessa forma, fica fácil concluir que, em breve, todos os ramos da economia deverão se ajustar a essas mudanças (substituição de lojas físicas por exposições digitais), sob pena de perder a competitividade e o acesso aos consumidores.
Portanto, medidas são necessárias para acompanhar essas mudanças. Para tanto, o Congresso Nacional deve promover uma ampla discussão com os diversos seguimentos da sociedade, por meio da realização de palestras com especialistas na área econômica, objetivando elaborar uma lei que venha a permitir que o Estado continue guiando a economia, mesmo diante de sua digitalização. Com essa medida, será possível ao poder público gerir a economia em todas as suas vertentes, contribuindo para o desenvolvimento do país.