A digitalização da economia

Enviada em 19/07/2021

As relações econômicas e de produção se tornaram mais fugazes e maleáveis com o avanço tecnológico da modernidade - conceito conhecido por Modernidade Líquida, teorizado pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman -, criando um novo modelo econômico estruturado pela digitalização de todos os processos, desde a compra de produtos até a entrega. Assim, o comércio foi democratizado, visto que fazer compras online é mais acessível para muitas pessoas, principalmente durante a pandemia do Covid-19. No entanto, essa nova realidade provoca o desmontamento e a falência de empresas físicas que não conseguiram acompanhar a revolução tecnológica, aumentando, consequentemente, o desemprego.

Nesse contexto, tem-se observado o desaparecimento de livrarias físicas no Brasil. Segundo o Uol, desde 2012, o número de lojas no Brasil caiu de 3481 para 2500, em decorrência do comércio eletrônico liderado pela Amazon que oferece livros com descontos de até 60%, tirando a competitividade das livrarias Saraiva, Leitura, Cultura, entre outras. Dessa forma, todas as lojas físicas que fecharam suas portas demitiram todos os seus funcionários e contribuíram para o aumento do índice de desemprego, que está em torno de 14,7%, atualmente.

Ademais, a pandemia do Covid-19 acelerou o processo de digitalização da economia, pois o isolamento social e as medidas de prevenção, como o fechamento de lojas físicas, provocaram o crescimento do comércio digital. Como consequência, mesmo com a abertura do comércio físico, muitas pessoas continuarão a fazer compras online, porque já experimentaram a facilidade e maleabilidade presente na economia digital, além dos preços serem menores.

Portanto, sabendo que a liquidez da Modernidade Líquida é um grande problema para a economia física, como exemplificado pelo caso das livrarias físicas no Brasil, são necessárias medidas que protejam o comércio físico. Dessa maneira, O Ministério da Economia deve desenvolver um protecionismo econômico das lojas físicas, por meio da diminuição de seus impostos e do aumento dos impostos das lojas virtuais, a fim de aumentar a competitividade entre elas e impulsionar o comércio físico, contribuindo com a reestruturação de empresas que estão perto da falência. Outrossim, os estabelecimentos comerciais devem acompanhar o desenvolvimento tecnológico atual investindo em soluções que aumentem a facilidade de compra que a economia online possui, como aconteceu com os supermercados durante a pandemia - os quais contrataram novos funcionários para trabalhar exclusivamente atendendo pedidos por mensagem e montando o carrinho sem o consumidor precisar ir fisicamente.