A digitalização da economia

Enviada em 08/11/2021

O sociólogo Thommas Marshall defende que a cidadania é fruto de três direitos fundamentais: o civil, o político e o social.Entretanto, no cenário brasileiro atual a recente digitalização da economia tem revelado a desigualdade no acesso ao saber tecnológico e a obsolescência das leis trabalhistas.Assim, é notório que a desigualdade digital, bem como o desamparo às carreiras propiciadas pela indústria 4.0 representam barreiras à inserção plena do Brasil e seus cidadãos nessa nova era.

Em primeiro plano, nota-se que a falta de meios para se conectar à internet em comunidades carentes e áreas rurais reverbera-se em um contexto vigente de iminente digitalização dos serviços públicos e atividades simples do cotidiano como o pagamento de contas.Segundo dados do IBGE, mais de 20% dos domicílios em área urbana não têm acesso a internet, já nas áreas rurais esse índice cresce para 54%.Desse modo, é nociva a percepção de que a transformação digital da economia esteja focada apenas no desenvolvimento das ferramentas dos serviços ofertados haja vista que ignoram a necessidade de atender o corpo social a margem dos avanços tecnológicos que não possuem contato com aparelhos conectados à rede tampouco conhecimento sobre seus direitos assistenciais.

Em segundo plano, infere-se que a substituição da mão-de-obra humana por máquinas não só gera desemprego, como também tem impulsionado a criação de novas carreiras marcadas pela insegurança financeira e trabalhista.Em vista disso, de acordo com Manuel Castells, sociólogo espanhol, um dos principais impactos da sociedade em rede é a ausência de intermediários, o que possibilita uma maior autonomia às pessoas e uma drática mudança nos modelos de negócio historicamente conhecidos.Logo, a ausência de vínculo empregatício com o contratante , assim como a desatualização das garantias laborais corroboram para o cenário caótico de instabilidade e violação aos direitos humanos, tendo em vista a superação da jornada de trabalho de 8 horas diárias.É, portanto, inadmissível que prerrogativas básicas de serviço sejam afrontadas de maneira tão flagrante sem a devida a reção do Estado.

Sendo assim, as dificuldades enfrentadas pelos indivíduos periféricos com a digitalização da economia é preocupante e requer medidas técnicas para serem combatidas.Dessa forma, o Ministério da Cidadania- órgão responsável pelo desenvolvimento social- deve em conjunto com as Prefeituras municipais equipar e informar os funcionários do CRAS acerca das novas tecnologias a fim de ajudar a população de baixa renda a respeito do PIX e demais dúvidas, de modo a orientá-los sobre seus direitos de forma gratuita. Espera-se, com isso, o nascimento de um tecido social atuante sobre as injustiças e beneficiário da totalidade de sua condição de cidadão.