A digitalização da economia

Enviada em 05/11/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6º, o direito à educação e ao bem-estar como inerente a todo cidadão. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado adequadamente na prática, ao observar a falta de meios para acompanhar a acelerada digitalização da economia, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social crucial. Diante disso, cabe pontuar o negligenciamento estatal e a omissão da mídia como fator fomentador.

Nesse cenário, vale ressaltar a inoperância estatal quanto a educação sobre os meios digitais. Decerto, a falta de programas e palestras sobre os efeitos da digitalização da economia é a realidade da política enfrentada no país, resultando nos diagnósticos tardios e na própria exclusão de uma parcela significativa da sociedade. Segundo o filósofo John Rawls, em sua obra “Uma teoria da justiça”, um governo ético é aquele que disponibiliza recursos financeiros para todos os setores públicos, promovendo igualdade de oportunidades a todos os cidadãos. Sob essa óptica, torna-se evidente que o Brasil não é um exemplo do pensamento desse teórico, visto que grande parte da população carece de informações sobre a importância do conhecimento da tecnologia em sua vida, os submetendo à periferia da cidadania.

Ademais, a omissão dos meios de comunicação sobre a digitalização da economia, colabora com a propagação do problema. Nesse viés, o filósofo Foucault defende que na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, nota-se que a mídia, em vez de promover matérias que elevem o nível de informação da população sobre os efeitos da avançada promoção da tecnologia em diversos setores e como usar isso a favor de cada um, colabora com a elitização do conhecimento, que exclui os setores desprivilegiados, que, por conseguinte, não saberá se sua futura profissão será excluída pelo avanço da tecnologia, ou se há necessidade de se aprofundar nela para obter sucesso. Destarte, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Entende-se, portanto, a temática como um obstáculo intrínseco às raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com sociólogos e professores, com o fito dessa digitalização na economia, apresentar a visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto estatal, em parceria com o Ministério das Comunicações. Em adição, trazer o assunto em salas de aula, a fim de conscientizar desde cedo sobre o efetivo uso da tecnologia. Assim, a educação outorgada pela Constituição será devidamente efetivada.