A digitalização da economia
Enviada em 03/09/2021
“O importante não é viver, mas viver bem.” Segundo Platão, importante filósofo grego, a qualidade de vida possui tamanha importância que ultrapassa a própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade de grande parte da população, uma vez que sofrem os impactos da digitalização da economia. Dessa forma, ao invés de aproximar a realidade descrita da proposta pelo autor, a pobreza digital advinda da desigualdade social e a exclusão de pequenos negócios do ramo digital contribuem para a persistência da problemática.
Convém ressaltar, a princípio, a pobreza digital como um dos fatores que corroboram para a consolidação do problema. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 46 milhões de pessoas no Brasil não possuem acesso à internet. Nesse contexto, nota-se que a digitalização da economia gera uma lacuna social de uma parcela expressiva da população, que é excluída não apenas do meio digital, como também do meio econômico, uma vez que grande parte dos serviços e trabalhos atuais são oferecidos na internet. Dessa maneira, com a crescente adesão de vários serviços ao formato digital, a problemática torna-se cada vez mais latente no Brasil.
Outro ponto relevante nessa temática é a exclusão de pequenos negócios do ramo digital. De acordo com uma pesquisa realizada pela NZN Intelligence, 74% dos consumidores atuais preferem as compras online. Sob essa ótica, percebe-se uma exclusão das pequenas empresas que não se adaptaram ao ramo digital, uma vez que a variedade de serviços prestados no meio virtual cresce exponencialmente, tornando a competição no mercado econômico cada vez mais acirrada. Nesse sentido, os negócios pequenos ficam mais vulneráveis a uma possível falência, já que não acompanham a evolução da economia digital e do seu mercado consumidor.
Portanto, faz-se necessária uma intervenção no que tange à pobreza digital. Assim, o Ministério da Cidadania, em conjunto com ONGs especializadas, deve desenvolver ações que vise a propor o combate à pobreza digital. Tais ações devem ocorrer por meio de programas sociais que promovam o acesso gratuito à internet para as pessoas que não possuem condições financeiras para contratar o serviço. É possível, também, a criação de pontos de distribuição de internet nas cidades que possuem o menor índice de acesso ao meio online, a fim de mitigar os problemas provocados pela pobreza digital. Ademais, o Governo Federal, como órgão máximo responsável, deve desenvolver ações que visem estimular a adesão dos pequenos negócios ao ramo digital, destacando a importância da inclusão deles no meio online. Dessa maneira, será possível construir um país do qual Platão pudesse se orgulhar.