A digitalização da economia

Enviada em 12/09/2021

Manuel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu, em suas obras, uma “teologia do traste”, cuja característica principal reside em dar valor às situações, frequentemente, esquecidas ou ignoradas. Sob a ótica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar a problemática da digitalização da economia no Brasil. Nesse sentido, a fim de dissertar e argumentar sobre essa temática, é importante ressaltar a negligência estatal e a educação brasileira.

Mormente, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para democratizar o acesso a internet. Nessa conjuntura, Otto Von Bismarck, estadista mais importante da Alemanha do século XIX, afirmou que o Estado deve garantir o bem-estar social da população. Sob esse viés, na medida em que existem pessoas vivendo, sem o direito igualitario, de poder participar dessa nova era da economia digital, observa-se, nesse ponto, a falha grotesca da função do poder público. Desse modo é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.

Ademais, é fundamental apontar que uma grande parcela da população se mostra alienada. O intitulado “Paradoxo da Moral”, é um livro escrito pelo musicólogo Vladimir Jankélévitch, para exemplificar a cegueira ética do homem moderno, ou seja, a passividade das pessoas frente aos impasses enfrentados. Similarmente, percebe-se uma resistência somada à falta de informação, de inúmeros cidadãos brasileiros, em aderir ao uso da tecnologia em suas atividades econômicas diárias. Essa situação ocorre, porque, a população adquire uma postura individualista e não se movimenta em prol de evoluir junto à sociedade contemporânea, o que, infelizmente, é evidente no país.

Infere-se, portanto, que medidas são necessária para atenuar esse entrave. Sendo assim, cabe ao Ministério da Tecnologia fornecer internet gratuita à pessoas que comprovem dificuldade de acesso, por meio de programas sociais de inclusão digital em parceria com empresas de telecomunicações. Além disso, deve promover uma série de palestras em escolas, ministradas por especialistas no assunto e que tenham os alunos do ensino fundamental e médio como público-alvo. Essa ação deve ser compartilhada na rede social do Ministério em formato de “Live”, com a finalidade de trazer mais clareza sobre o uso da internet como ferramenta comercial, atingindo um público maior. Assim, torna-se possível a construção de uma sociedade permeada pela infiltração do elementos elencados na Magna Carta.