A digitalização da economia

Enviada em 23/09/2021

No livro “A Quarta Revolução Industrial”, o fundador do Fórum Econômico Internacional, Klaus Schwab, defende que a fase atual do capitalismo e do desenvolvimento tecnológico no qual a sociedade se encontra, está moldando constantemente a forma que os indivíduos vivem, trabalham e se relacionam. Dentro de tal ideia, a economia é essencialmente parte dessa mudança, desde os aplicativos bancários até o recente surgimento de criptomoedas, como o Bitcoin. Porém, ao passo que a constante digitalização da economia traz muitos benefícios, ela também encontra na desigualdade social um grande obstáculo.

Apesar do desenvolvimento da economia digital já estar acontecendo a alguns anos, a pandemia do Coronavírus (Sars-CoV-2) acelerou esse processo de forma exponencial. A grande maioria das transações foram feitas de forma online durante a quarentena, já que agências possuiam horário de funcionamento reduzido e lojas, shoppings e restaurantes estavam fechados. Em Novembro de 2020, o Banco Central lançou integralmente no Brasil o PIX, um sistema de pagamento eletrônico instantâneo e gratuito que funciona 24 horas, 7 dias por semana. Tal ferramenta traz uma imensa facilidade para seus usuários, que necessitam de cada vez mais praticidade e velocidade dentro do mundo globalizado.

Por outro lado, assim como a economia digital começou a ser parte da vida de milhões de pessoas pela possibilidade de fazer atividades complexas por meio de poucos cliques em seus smartphones, outras milhões não possuem a mesma oportunidade. No Brasil, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), um a cada quatro brasileiros não possui acesso à internet e, por consequência, não são incluídos nas relações dos sistemas ciberfísicos. Com a criação do Auxílio Emergencial em 2020, que necessitava de um cadastro on-line, foi escancarada a falta de informação e oportunidades tecnológicas dentre as camadas mais pobres da população. Por vezes, essas pessoas não conseguiam o benefício por não possuir um dispositivo ou por não saber como mexer no aplicativo disponibilizado. Dentro dessa realidade, é possível questionar a afirmação de Steve Jobs de que “a tecnologia move o mundo”, já que esse “mundo” por muitas vezes é acessado apenas por aqueles que são  privilegiados de alguma forma.

Desse modo, é necessário que seja desenvolvido e aprovado pela Câmara e Senado brasileiros, e apoiado pelo Ministério da Educação e da Economia, um projeto de lei que vise a inclusão digital de toda a população. Para isso, seriam criadas unidades móveis tecnológicas que disponibilizariam dispositivos e conexão à rede para os habitantes daquela área, além de cursos e workshops sobre tecnologia e finanças.