A digitalização da economia
Enviada em 05/11/2021
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Segundo a lógica barrosiana, é preciso, portanto, valorizar também a exponencial digitalização da economia. Assim, vale ressaltar que a crescente alta nas taxas de desemprego e o processo de adaptação às mudanças são consequências diretas da mesma.
Diante desse cenário, é lícito postular a passividade governamental no combate ao revés supracitado. Para entender essa lógica, alude-se ao pensamento do contratualista John Locke, o qual, em seu contrato social, afirmou que o Estado deve garantir os direitos imprescindíveis dos indivíduos. Ao observar, no entanto, dados fornecidos pelo IBGE, onde aproximadamente 15 milhões de brasileiros encontram-se desempregados no ano atual, nota-se um rompimento com o pacto estabelecido pelo filósofo.
Ademais, a dificuldade na apropriação de variantes nos meios econômicos atuais tem relação direta, inclusive, com a lacuna tecnológica presente na formação educacional da população brasileira. Nesse sentido, de acordo com a teórica Vera Maria Candau, o sistema educacional está preso nos moldes do século XIX, teoria a qual encontra-se intimamente relacionada com o darwinismo, uma vez que a “espécie” que sobrevive é aquela que melhor se adapta as mudanças.
Portanto, embora a digitalização econômica tenha sido de suma importância para milhares de brasileiros em período pandêmico, outra parcela do tecido social foi posta à irrelevância. Por conseguinte, o Estado em sua totalidade, deve sanar tais estigmas por meio de projetos voltados à formação técnica tecnológica gratuita e educação financeira, tendo em vista que grande parcela populacional não tem acesso a cursos profissionalizantes que preparam efetivamente para o novo mercado de trabalho. Espera-se com isso que o processo de mudanças aconteça de forma generalizada, pois, em concordância com o texto “Cidadanias Mutiladas” do geógrafo Milton Santos, a democracia só é efetiva se atingir a totalidade do corpo social.