A digitalização da economia

Enviada em 12/11/2021

O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pela digitalização da economia é semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a modificação do mercado de trabalho, tornando-o mais excludente.

A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa a desigualdade digital, ainda vigente em uma grande parcela da população. Esse contexto de inopêrancia das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, o conceito “cidadania digital”, que é o uso responsável das tecnologias pelos cidadãos, o direito e o dever de saber usar corretamente as inovações tecnológicas que surgem ao nosso redor, não é plenamente garantido, uma vez que nem todos sabem se relacionam com as informações da internet. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.

Outrossim, é igualmente apontar a modificação do mercado de trabalho como outro fator que contribui para a manutenção da economia digital. Posto isso, de acordo com a obra 21 lições para o século XXI, do historiador israelense Yuval Harari, um dos maiores temores que cercam a digitalização da economia é a obsolescência de empregos. Para ele, é crucial entender que a revolução da inteligência artificial não envolve apenas tornar os computadores mais rápidos e mais inteligentes. Ela se abastece de avanços nas ciências da vida e nas ciências sociais. Quanto mais compreendemos os mecanismos bioquímicos que sustentam as emoções, os desejos e as escolhas humanas, melhores podem se tornar os computadores na análise do comportamento humano, na previsão de decisões humanas, e na substituição de motoristas, profissionais de finanças e advogados humanos. Dessa forma, a substituição total de habilidades exclusivamente humanas pode estar bem próxima. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a pendurar.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar a situação. É preciso que o Ministério da Economia e Ministério da Educação por intermédio de parcerias com empresas públicas e privadas de tecnologia, ofereça programas de capacitação tecnologica com o objetivo de auxiliar a inserção dos cidadãos na nova economia, e assim, possibilitar maior aproveitamento dos benefícios da indústria.