A digitalização da economia

Enviada em 12/11/2021

O romance “A Hora da Estrela” de Clarice Lispector retrata a história de Macabéa, uma datilográfa, uma das mais de milhares profissões que foram extintas ou tornaram-se obsoletas com o avanço da tecnologia e a ampliação da internet á economia. Conquanto, tal prerrogativa torna-se um desafio para a sociedade brasileira visto que de acordo com o IBGE 2019, 21,7% de pessoas não tem acesso a internet, dificultando, deste modo, a digitalização da economia. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a obsolescência de empregos, assim como na obra de Clarice Lispector. Segundo Tom Goodwin, o conceito de “darwinismo digital” é a necessidade das empresas e pessoas de se adaptarem aos novos contextos sociais tecnológicos, tornando a digitalização da economia um dos maiores impasses para a vida de milhões de pessoas, já que de acordo com dados do IBGE, 170 milhões de brasileiros são analfabetos digitais.

Ademais, é fundamental apontar a exclusão das pessoas sem acesso a internet ou a qualquer tipo de tecnologia como impulsionador da dificuldade da digitalização da economia no Brasil. Segundo dados do Cetic.br (Centro Regional para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), o acesso de à internet no Nordeste é de 65%, enquanto no Sudeste é de 75%. Diante de tal exposto fica evidente que o conceito “cidadania digital”, que é o direito e o dever de usar corretamente as inovações tecnológicas que surgem ao nosso redor, não é plenamente garantido, uma vez que nem todos se relacionam com as informações da internet. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de mudar esse quadro no Brasil, sobretudo, da desigualdade digital no país. Para isso, é ímper que o Poder Executivo, em parceria ao Ministério da Educação, por intermédio de um novo sistema de ensino integrado a tecnologia em todas as escolas do país, com a adesão de matérias sobre educação tecnológica e conhecimentos financeiros básicos — ministrados por profissionais da área financeira e digital, de forma a democratizar o acesso a internet e difundir a alfabetização digital em massa de toda a população. Assim, se consolidará uma sociedade mais modernizada e democrática, com aptidão nas futuras tecnologias.