A digitalização da economia

Enviada em 19/11/2021

“É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro” disse o velho sábio Tuahir - personagem do romance Terra Sonâmbula, de Mia Couto. Tal excerto remete, assim, a um importante desafio que obstaculiza o caminho da sociedade e compromete o porvir, qual seja, a iniquidade de acesso à digitalização da economia. Desse modo, faz-se inadiável um debate da ilicitude desse quadro, cujas principais motivações são a desigualdade social e a exclusão digital.

Em primeiro plano, alude-se à Constituição de 1988, pilar do ordenamento jurídico do país, que institui a tecnologia e a inovação como dever do Estado. Nada obstante, o país ainda enfrenta dificuldades na inclusão tecnológica, fazendo com que a digitalização da economia seja uma realidade ainda distante para uma parte da população, o que leva à perpetuação da exclusão financeira. Logo, a inoperância estatal diante do problema compromete o ideal constitucional.

Ressalta-se, outrossim, que, segundo Eduardo Galeano em “Veias Abertas da América Latina”, “A primeira condição para mudar uma realidade consiste em conhecê-la”. Sob esse prisma, a falta de acesso à economia digitalizada, acontece, em grande medida, devido exclusão dital, pois nem todos possuem condições financeiras para ter acesso aos recursos tecnológicos e para criar contas em bancos. Como resultado, uma significativa parcela da população permanece “desbancarizada”, o que afeta, também, o desenvolvimento econômico do país. Portanto, corroborando Galeano, intervir nesse obstáculo é premissa para mudar a realidade vivida pela população mais vulnerável.

Diante do exposto, é papel do Poder Público, principal garantidor da Lei Maior, ampliar o acesso aos serviços financeiros digitais. Isso dar-se-á, mediante o destino de verbas a projetos de inclusão digital, por exemplo, para compra de computadores e contratação de professores de informática para as escolas públicas. O objetivo será fazer com que jovens e adolescentes tenham acesso aos meios digitais e, por conseguinte , saibam administrar suas economias “on-line”. Dessa forma, retomando Mia Couto, o caminho que então percorrerá, levará o país a um futuro mais desenvolvido e igualitário.